Oi, pessoal.
O nosso amigo Augusto Cruz, do blog do Consumidor, participou, junto com outros baianos e gente do mundo todo, da Meia Maratona da Disney. Acostumado a correr no calor da Bahia, ele conta para a gente como conseguiu superar o frio!
A seguir, o e-mail na íntegra!

“Estive parado por conta de uma contusão (outro dia conto esta estória) por cerca de 4 meses, voltei a treinar a cinco semanas da prova com capacidade para um “longão” de 10Km e sem poder fazer tiros! Não foi fácil, especialmente quando a gente se habitua a forçar nos treinos para buscar mais velocidade. Tive de me conter ao máximo, primeiro para que a contusão não voltasse, segundo para que me sentisse confortável e não “quebrasse” nos treinos.
Longões a 32 graus! No sábado que precisei correr 15Km, quebrei e só fiz 9km!!!! Faltavam 3 semanas para a prova! Repeti o treino na noite da segunda-feira e para minha surpresa e alegria não apenas corri o percurso determinado, como ainda fiz duas subidas, sendo uma de 400m após 12Km de treino.
Chegou o último longão e 18km realizados tranquilamente, sem dores musculares, cansaço ou fadiga, inclusive nos dias seguintes ao treino. Grande trabalho de Paulinho (Triação) e Rodrigo (personal trainer). Senti-me preparado para correr pelos lindos parques da Disney em 2:30h (bem ruinzinho, mas para quem treinou tão pouco tempo estava bom demais), mas…
O frio!
Todos os corredores (inclusive eu) correm bem no frio.
Mas você já correu numa temperatura em que respirar dói? A previsão do tempo para Orlando era de absurdos - 6 graus centígrados para o dia da prova .
Na semana anterior à prova tinha assistido, no Discovery, a um cara correr 21km a -20 na Letônia, descalço e de short, ao final ele perdeu os dedos dos pés. E eu pensei: correrei vestido e a expectativa é de apenas -6! Tá beleza!
Pois é, depois da corrida soube que a sensação térmica era de -12 graus centígrados!
Corri com uma calça colada, uma camiseta idem, duas camisas de tac tel, uma faixa para proteger as orelhas e um par de luvas próprias para esporte. Acho que se estivesse sem camisa não mudaria muito, a calça protegeu bem. E só!
Mas vamos à prova:
Hospedei-me no complexo da Disney, o que facilita em muito a logística. São muitos ônibus saindo desde as 3h da manhã e uma dica para quem pretende fazer a prova: saia cedo. Fui às 4:30h e por pouco não perdi a largada. Tem congestionamento e quem vai de carro ou táxi tem de parar bem distante. E do ponto em que se desce do ônibus até a largada se anda muito, inclusive em relação ao guarda volumes tem de caminhar cerca de 1Km. Siga o conselho de seu treinador: separe tudo na véspera, durma cedo e desperte de um salto!
Ao chegar no Epcot o frio era terrível. Vi muitos corredores envolvidos em sacos plásticos, excelente dica para quem vai correr no frio. E eu com minhas roupinhas que àquela altura eram de verão…! Mas entrei rapidamente no clima. O lugar é sensacional! E muito organizado!
Parei no guarda volumes e começou a chover. Pesadelo total: muito frio e chuva.

O local da largada é mal iluminado, mas são 18 mil pessoas e pontualmente os currais são liberados a partir das 5:50h com saídas intercaladas. Atenção: a maioria não respeita o pace na inscrição, se você informar um pace alto sua largada pode ser bem mais tarde e no frio o quanto antes terminar a prova, melhor.
Durante o percurso muitas atrações: bandas, estudantes, personagens da Disney e adentrar os parques correndo é uma sensação fantástica, com muitos espectadores gritando e vibrando, sempre lançando a mão para batermos (give me a five!). Com o kit da prova recebemos uma câmera descartável e uma caneta para autógrafos!!! E centenas de corredores param para fotos. Não fiz isso, pois minha vontade era a de concluir a prova e sair daquele congelador.
Corri os primeiros 8Km me poupando muito, pois sabia como meu corpo reagiria naquele refrigerador, além disso vi algumas pessoas tropeçando nos casacos abandonados por corredores ao longo do caminho e tive o receio de cair. Somente senti meu corpo aquecido depois de uns 7km, antes disso corri totalmente travado, a ponto de achar que não conseguiria correr os 21km, mas depois do km 8, senti-me muito bem e comecei a soltar a perna.
E o frio? Bom a essa altura já estava acostumado, com as mãos e o nariz congelados, de vez em quando levava as mãos à boca e soltava lufadas de ar quente. Sentia meu nariz molhado o tempo todo. Respirar incomodova. A certa altura, lá pelo meio da prova, fui pegar um gel na cintura e não senti meu abdomem!!!! Minha barriga estava dormente!!!!!
Ao longo de toda a prova sempre encontrava brasileiros e a troca de palavras de incentivo eram recíprocas.
Muitos pontos de hidratação, mas powerade e água geladíssima em copos é quase um veneno, principalmente se você se molhar! Mesmo assim bebi em quase todos os postos, mesmo por que fiz uso de géis de carboidrato e precisava de líquido.
Alguns momentos especialíssimos: ao entrar no castelo da Cinderela coincidiu de dois “guardas imperiais” tocarem suas trombetas, sensação massa! E num trecho do Epcot, já no final da prova, tocava a música de Ben Hur (exatamente a do famoso duelo de quádrigas), isso dá uma enorme revigorada.
Fim de prova, medalha no pescoço, 2:20h, 10 minutos abaixo do que previ, sensação ótima, sem dores musculares ou cansaço.
Ao parar para a foto um brasileiro passou e disse: seu nariz está sangrando. A partir daí começou o drama!
O frio tomou conta do corpo!
A fila para retirada de meus pertences no guarda volumes era enorme e tudo aberto, meu pensamento era um só: preciso de abrigo! Não raciocinava bem, sentia-me a todo instante como um desabrigado, de verdade! Achava que a qualquer momento alguém me ofereceria ajuda. Encontrei uma colega da Triação, Emília, que ainda estava sofrendo mais que eu. Juntei alguma energia e fomos à enfermaria, nos deram um “lençol” de saco plástico e nos colocaram numa van com aquecedor. Senti-me num palácio, troquei duas das camisas molhadas por duas secas, melhoramos e fomos embora sem ânimo algum para sessões de fotos com os personagens da Disney. Saí revigorado, mas preocupado com a colega e em entrar logo no ônibus. As filas eram enormes e ninguém respeitava. A música tema de Titanic era a mais adequada para o momento, por sorte conseguimos entrar rapidamente no “bolo” de gente (deixei meus princípios de lado, pensei é estado de necessidade e posso furar a fila)”.
Tenho plena convicção de que faltou pouco para uma hipotermia. Algumas pessoas referiram que a lembrança da corrida foi ruim, mas para mim tornou-se uma grande conquista. É, sem dúvida, a medalha mais bonita (lindona!) e sofrida que conquistei. E o mais incrível: sem derramar uma gota de suor!!!

*Fotos: Arquivo pessoal de José Augusto
Parabéns, Augusto!
Equipe BE.