Sete Vidas

4 de janeiro de 2009

Um roteiro bem amarrado e que vai soltando as pontas aos poucos, cena a cena. Um ator carismático e competente. Essas são as principais armas de Sete Vidas que traz Will Smith no papel principal e tem direção do italiano Gabriele Muccino. Do início ao fim, você vai tentando entender o que se passa na vida do fiscal de imposto de renda Ben Thomas. Aos poucos começa a compreender o drama e a tragédia pessoal vividos pelo personagem, se empolga com a campanha a favor da doação de órgãos e torce pela saúde de Emily Posa e para que ela tenha um final feliz ao lado de Ben. Até aí eu estava feliz com o filme, mas o último nó a ser desatado nesta trama é que joga o filme na ribanceira. Não posso aqui revelar os segredos de Sete Vidas, mas depois que você assistir me conta se é ou não uma história absurda. De qualquer forma, a promessa é de que Will Smith entre na disputa do Oscar interpretando o misterioso Ben.

Gêneros e Formatos na TV

1 de janeiro de 2009

O povo cansou. Quer ver o novo na TV e por isso acredito que 2009 deve ser realmente um ano de novidades televisivas. A quebra da formalidade, a mudança de estrutura, o improviso e a produção de imagem por amadores devem ser os elementos principais dessas mudanças.  A palavra de ordem é SURPREENDER.

Participar deste processo é ao mesmo tempo assustador e encantador. Assusta porque de um momento para o outro temos que dizer adeus às velhas regras e encanta porque estamos escrevendo um novo capítulo da história da TV.

Temos algumas idéias de que caminhos devemos seguir e vamos experimentando. A única certeza que temos é que não dá para apenas assistir à passagem desse novo tempo. Então, 2009 é um ano de assistir, avaliar e criar. Bem-vindos à nova era. Feliz Ano Novo, Feliz Nova TV.

Folga e cinema

26 de dezembro de 2008

Dia de folga (para alguns…), dia de ir ao cinema, e olha que temos algumas boas promessas nas telonas. Mas a minha dica é para quem não está pensando em sair de casa. Estoure aquela velha pipoca e coloque no DVD “Doutores da Alegria - O Filme” (2005), de Mara Mourão. Não é para chorar, é só para virar o ano com o coração mais leve.

Rede de Mentiras

14 de dezembro de 2008

Fazia algum tempo que eu não assistia a um filme tão ruim. Roteiro fraco, personagens superficiais e uma luta constante de Di Caprio para tentar dar algum sentido ao seu personagem. Você entra na sala de cinema para ver uma obra de Ridley Scott com Russell Crowe no elenco e que tem como tema o Oriente Médio, o que espera? No mínimo, um filme que você não tenha tempo nem de respirar e que ao deixar a sala de cinema ainda precise buscar fôlego. Tédio e Ridley Scott não combinam, mas nesse filme… tenha santa paciência. Você só não dorme porque o ronco do cara ao lado não deixa.

A história simplesmente não envolve. Os personagens não possuem relações afetivas. São apenas homens de negócios que só pensam em seus negócios. Por isso, o roteiro fica concentrado em apenas um núcleo temático inconsistente. Quando a ‘mocinha’ da história surge, ela entra da mesma forma que sai, sem laços firmes com o enredo. Nos resta apenas a correria dos agentes para capturar o terrorista e o banho de sangue habitual de filmes nesse estilo. No fim, todos não passam de sobras do que poderiam vir a ser enquanto personagens.

Queime depois de ler

14 de dezembro de 2008

Os irmãos Coen selecionaram um elenco de estrelas e, mais uma vez, brincaram de fazer cinema. Com uma verdadeira sátira às histórias de espionagem americanas, eles alcançaram a liderança das bilheterias brasileiras na primeira semana. Cheio de ironia e humor negro, o filme possibilita um bom momento de diversão. Destaque para os excelentes trabalhos de Frances McDormand, John Malkovich, George Clooney, Tilda Swinton e Brad Pitt.

Nova Mídia

30 de novembro de 2008

Quem está atento as mudanças, ouve falar em convergência de mídias, comunicação móvel, TV digital e por aí vai. Mas a verdade é que pouca gente sabe do que se trata e menos gente ainda sabe no que tudo isso vai dar. O fato é que precisamos pensar no assunto. Aí você me pergunta: a gente quem cara pálida. A resposta é: a gente que não quer ficar parado na estação vendo o trem passar.

Tanto para quem produz, como para quem consome, o tempo é de muito estudo e pesquisa. Para quem trabalha no meio a questão é estar atento a como aproveitar estes novos recursos. Para quem é consumidor, a questão é que melhor produto adquirir. Não pense que tenho as respostas. O fato é um só: precisamos de informação. Muita informação! Você pode até estar falando que eu não estou dizendo nenhuma novidade, mas o meu objetivo é realmente fazer com que você sacuda o esqueleto e parta para a busca. No mais, segue um vídeo bem humorado que é uma sátira dos nossos dias.

Amores Brutos

30 de novembro de 2008

Aproveitei o fim de semana para ficar em casa e rever alguns filmes. Acabei me deparando com Amores Brutos (2000), dirigido por Alejandro Gonzáles Iñarritu. Lembrei-me de um debate travado entre um pesquisador equatoriano e o presidente da associação mexicana de cinema durante o Encontro Internacional de Mídias, na Colômbia, este ano. O pesquisador equatoriano enaltecia o filme e destacava a força do roteiro, já o presidente de associação mexicana dizia que o filme não passava de uma cópia bem feita de Pulp Fiction. Na época, estava mais preocupada em apresentar o meu trabalho que entrar na discussão de um lado ou de outro. Mas agora revendo Amores Brutos percebo que deveria ter defendido o pesquisador do Equador. Como reduzir Amores Brutos a uma cópia? Só por causa da quebra da linearidade? Ou seria a tela em fade com os caracteres gráficos definindo o título do trecho seguinte? Não importa. Penso que é um crime reduzir este belo e duro filme a tão pouco. Quem não viu, veja! Agora é bom ter estômago e não ser muito afeito a cachorros.

 

Quem ama já viu

23 de novembro de 2008

Demorei a escrever aqui sobre esse clássico do cinema mundial. Podem reclamar, gritar, esbravejar, mas o fato é que 007 é um clássico sim. Existem os que amam, os que odeiam, os que preferem ignorar (mas acho difícil conseguir) e aqueles que dizem que 007 já foi. Eu estou no grupo ‘Pra sempre vou te amar’. E é tranqüilamente assentada neste grupo que me ponha a falar. Como eu ia dizendo, quem ama já viu, e eu estou mais aqui para compartilhar sensações que indicar o que fazer no fim de semana.

Quero falar, principalmente, de um ponto: o ritmo da edição. Minha nossa, é tudo tão rápido que em muitos momentos eu queria estar em casa com o controle remoto para ativar o recurso câmera lenta! O tempo de cada cena é quase um susto. O resultado é que o filme fica ultra dinâmico, mas o roteiro ultra comprometido. Afinal, você quer entender a história ou não?

Por falar na história, a discussão sobre o que é ou não correto neste mundo globalizado é interessantíssima. O roteiro peca no desconhecimento político da América Latina que permite críticas sutis, mas superficiais. No mais, só tenho a dizer que Daniel Craig pode não agradar a todos, mas pra mim ele é ‘O 007′. Só sinto não ter escultado a velha frase: My name is Bond, James Bond!

Confira o trailler:

Vicky Euzinha Barcelona

12 de novembro de 2008

Não tem jeito, serei mais uma a falar do novo filme do mestre Woody. O que mais me impressiona é esse complexo jeito simples de fazer cinema. Não sou nenhuma especialista em Woody Allen, apenas gosto de muitos dos seus filmes. Na minha linha de favoritos estão Scoop (2006), Match Point (2005), O sonho de Cassandra (2007) e, para viajar um pouco mais no tempo, Poderosa Afrodite (1995), Hannah e Suas Irmãs (1986), Todos Dizem Eu Te Amo (1996). Dos que citei, o que mais gosto, não posso negar, é Match Point pelo toque dostoiévskiano que o roteiro tem. Mas o assunto aqui é Vicky Cristina Barcelona (2008), então vamos a ele.

Como todo bom filme de Wood Allen, a força da obra está no roteiro. Os diálogos são fantasticamente criativos, dinâmicos e envolventes. A história é rica e cheia de nós desatados de forma inesperada. Acredito que é isso, afinal, que torna uma obra rica: a capacidade que o roteirista tem de colocar o personagem na pior cilada do mundo e de retirá-lo da forma mais surpreendente. Isso Allen faz muito bem.

O filme conta a história de duas jovens de temperamentos opostos que viajam para Barcelona com finalidades também distintas. Vicky (Rebecca Hall) quer buscar informações para o seu mestrado sobre a cultura catalã, já Cristina (Scarlett Johansson) tem uma missão muito mais espiritual, quer se encontrar. Tudo segue dentro da perfeita normalidade, até que as duas conhecem o sedutor Juan Antonio (Javier Bardem). Daí pra frente, a história toma rumos inesperados e os personagens se deparam com situações, no mínimo, inusitadas.

O filme vale ainda pelas belas paisagens de Barcelona com cenas gravadas no Parque Güell, na Sagrada Família, no Museu Juan Miró, na La Pedrera. Dizem que as locações foram uma exigência dos financiadores do filme, mas o fato é que só tenho uma coisa a dizer sobre isso: a cidade é linda!

Por fim, só me resta dizer que o teatro cinematográfico de Woody Allen continua simplesmente magnífico. Curtam o trailler!

Pulp Fiction - Parte II

28 de outubro de 2008

Primeiro, devo desculpas pelo longo tempo em silêncio. Época de cobertura de eleições é assim mesmo, amigos. Mas estamos de volta e é isso que vale.

Curti muito os comentários. Hamlet tem razão quando lembra que foi Pulp Fiction que tirou John Travolta do ostracismo. Janaína lembra bem de Assassinos por Natureza (1994), só que o roteiro é de Oliver Stone em parceria com David Veloz e Richard Rutowski, mas baseado em estória de Tarantino. A direção também é de Stone. Não pense que lembro de tudo isso. Dei uma pesquisada básica para confirmar a informação.

Quanto aos amigos que estão tendo a oportunidade de assistir ao filme agora, o bom de tudo é possuir o olhar de uma nova era. As viagens são potencializadas e a nossa capacidade de fruição é ainda maior. Este é um processo interessante porque nos ajuda a entender a nossa própria época. Hoje temos uma infinidade de novos recursos e só aproveitamos para mentir mais em 007 e Missão Impossível ou então para contar uma história ridícula como em O procurado (2008).

Já estou até ficando chata com essa história de ‘libertem as suas mentes’, mas é realmente este o caminho. Sem criatividade não há salvação e aí a gente vai ficar comemorando o centenários das belas artes.