Para estudar cinema em Cuba

5 de fevereiro de 2010

logo_verticalDo forno: A Escola Internacional de Cinema e TV de Cuba – EICTV está com as inscrições abertas para a seleção de estudantes brasileiros. Os interessados têm até o dia 10 de março para postularem às vagas brasileiras – que podem variar entre quatro a seis lugares – para o curso regular na instituição.

O limite de idade para postular é de 22 a 29 anos. As provas do Processo Seletivo 2010/2013 serão aplicadas nos dias 12 e 13 de março,em cinco cidades: Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Florianópolis (SC), Campo Grande (MS) e Belém (PA).

As fichas de inscrição estão disponíveis nos sites de Cuba-cursos (www.cuba-cursos.org) ,a Associação Curta Minas / ABD-MG (www.curtaminas.com.br), da Página 21 / PE (www.pagina21.com.br), do Instituto Selvino Caramori / SC (www.instselvinocaramori.org.br), e dos blogs da Associação de Cinema e Vídeo-MS / ABD-MS (acvms.blogspot.com) e da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas / ABD-PA (eictvpara.blogspot.com).

Serão oferecidas sete especializações – Direção, Produção, Roteiro, Fotografia, Som, Documentário e Edição. Cada candidato deverá optar por uma destas especializações. O início do curso, que tem duração de três anos, está previsto para setembro de 2010 e término em julho de 2013.

Oportunidade única e de ouro, fortemente recomendada por esta blogueira!

Abraços!

Escrito por Ceci Alves

Oscar 2010 – Agora, sim, o comentário…

5 de fevereiro de 2010
Cobiçada e amada: Cerimônia de entrega da estatueta do Oscar 2010 será dia 7 de março

Cobiçada e amada: cerimônia de entrega da estatueta do Oscar 2010 será dia 7 de março

Gente! Desculpa o sumiço e a demora para comentar sobre o Oscar 2010 neste blog. Mas aí vai o post prometido, com uma especial alegria, porque eu  ADORO a festa da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas que, este ano, vai ao ar dia 7 de março – com algumas mudanças e muitas expectativas.

A primeira delas é o aumento do número de indicações ao Oscar de Melhor Filme: das 5 tradicionais, este ano passou-se para 10 indicações – o que foi visto com maus olhos por uns e comemorado por outros.

A turma do contra alega que dobrar o número de concorrentes à laurea mais importante dilui o significado da indicação. E ainda que isto foi inventado como uma via de mão dupla que beneficiaria a Academia e a indústria do cinema: “democratizando” o prêmio, mais blockbusters têm a chance de participar, atraindo (ou recuperando), assim, a atenção do público comum para a premiação anual; e, dessa forma, mais filmes teriam a “sobrevida” prolongada, já que uma indicação à cobiçada estatueta ressuscita a carreira de muito filme em vias de sair de cartaz.

Quem está a favor do aumento de indicações acredita que esta expansão vai incrementar as chances de aquele filme que é legal, e/ou causou burburinho, entrar no páreo com os já favoritos, no entender da Academia, a concorrer pelo tio dourado.

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Diversidade - Seja como for, o certo é que, inegavelmente, a diversidade entrou pra ficar na principal festa do cinema mundial.

É só dar uma olhada mais acurada nos indicados da categoria mais nobre da premiação: por exemplo, filmes tão desiguais como o megablockbuster Avatar (James Cameron) e o reconto histórico que traz à luz feridas recentes não cicatrizadas como Guerra ao Terror (Kathryn Bigelow), disputam em pé de igualdade: nove indicações para cada lado.

E aí vai a curiosidade: Bigelow, ex-mulher de Cameron, conseguiu roubar-lhe a cena: com este thriller bélico carregado de testosterona, ela pode ser a primeira mulher a ganhar Oscar de Melhor Direção – verdadeiro ‘Clube do Bolinha’ nestes 82 anos de premiação.

E, dentro dos indicados nesta categoria, uma bem-vinda surpresa: o (tocante) filme de animação Up – Altas Aventuras (Pixar), nomeação que corrobora mais uma vez o poder que as animações vêm adquirindo ao longo dos anos na indústria cinematográfica de gente grande. Esta é a segunda indicação que um longa-metragem de animação recebe para Melhor Filme: o outro foi A Bela e A Fera, dos Estúdios Disney, em 1991.

Gostaria de lembrar a todos que o desafio está de pé: vou ver os indicados e, periodicamente, postarei aqui minhas impressões. Quero também ouvir vocês! Comentários dos filmes serão bem-vindos, apreciados e, os melhores, postados! Espero vocês!

Abraços!

Escrito por Ceci Alves

Saiu a lista de indicados!

2 de fevereiro de 2010

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Gente! Saiu a lista de indicados ao Oscar 2010 e começa a minha maratona para ver todos e comentar por aqui.

Como estou corrida para sair e saudar Iemanjá, só vou jogar a lista aqui – retirei ela do Adoro Cinema e nem limpei os links nem nada -, para vcs verem quem está concorrendo.

Quando voltar das águas do Rio Vermelho, comento tudo, prometo! Abs!

MELHOR FILME

Avatar

Um Sonho Possível

Educação

Preciosa

Distrito 9

Bastardos Inglórios

Um Homem Sério

Guerra ao Terror

Up – Altas Aventuras

Amor Sem Escalas

MELHOR DIRETOR

Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios)

Lee Daniels (Preciosa)

Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror)

James Cameron (Avatar)

Jason Reitman (Amor Sem Escalas)

MELHOR ATOR

Jeremy Renner (Guerra ao Terror)

Morgan Freeman (Invictus)

Colin Firth (Direito de Amar)

Jeff Bridges (Coração Louco)

George Clooney (Amor Sem Escalas)

MELHOR ATRIZ

Meryl Streep (Julie & Julia)

Sandra Bullock (Um Sonho Possível)

Gabourey Sidibe (Preciosa)

Carey Mulligan (Educação)

Helen Mirren (The Last Station)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Woody Harrelson (O Mensageiro)

Christoph Waltz (Bastardos Inglórios)

Christopher Plummer (The Last Station)

Matt Damon (Invictus)

Stanley Tucci (Um Olhar do Paraíso)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Vera Farmiga (Amor Sem Escalas)

Anna Kendrick (Amor Sem Escalas)

Mo’Nique (Preciosa)

Maggie Gyllenhaal (Coração Louco)

Penélope Cruz (Nine)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Bastardos Inglórios

Up – Altas Aventuras

O Mensageiro

Guerra ao Terror

Um Homem Sério

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Distrito 9

Amor Sem Escalas

Educação

In the Loop

Preciosa

MELHOR FOTOGRAFIA

Avatar

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Guerra ao Terror

A Fita Branca

Bastardos Inglórios

MELHOR TRILHA SONORA

Avatar

O Fantástico Sr. Raposo

Guerra ao Terror

Sherlock Holmes

Up – Altas Aventuras

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

“Almost There” (A Princesa e o Sapo)

“Down in New Orleans” (A Princesa e o Sapo)

“Take It All” (Nine)

“Loin de Paname” (Paris 36)

“The Weary Kind” (Coração Louco)

MELHOR MAQUIAGEM

Star Trek

The Young Victoria

Il Divo

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Avatar

Nine

O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus

Sherlock Holmes

The Young Victoria

MELHOR FIGURINO

O Brilho de uma Paixão

Coco Antes de Chanel

O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus

Nine

The Young Victoria

MELHOR EDIÇÃO

Avatar

Distrito 9

Guerra ao Terror

Bastardos Inglórios

Preciosa

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Ajami (Israel)

A Teta Assustada (Peru)

O Segredo dos Seus Olhos (Argentina)

A Fita Branca (Alemanha)

Un Prophète (França)

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

Coraline e o Mundo Secreto

Up – Altas Aventuras

A Princesa e o Sapo

O Fantástico Sr. Raposo

The Secret of Kells

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

Avatar

Bastardos Inglórios

Guerra ao Terror

Star Trek

Up – Altas Aventuras

MELHOR MIXAGEM DE SOM

Avatar

Guerra ao Terror

Bastardos Inglórios

Transformers – A Vingança dos Derrotados

Star Trek

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS

Avatar

Distrito 9

Star Trek

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Burma VJ

The Cove

Food, Inc.

The Most Dangerous Man in America: Daniel Ellsberg and the Pentagon Papers

Which Way Home

MELHOR CURTAMETRAGEM

The Door

Instead of Abracadabra

Kavi

Miracle Fish

The New Tenants

MELHOR CURTAMETRAGEM DE ANIMAÇÃO

French Roast

Granny O’Grimm’s Sleeping Beauty

La Dama y la Muerte

Logorama

A Matter of Loaf and Death

MELHOR CURTAMETRAGEM – DOCUMENTÁRIO

China’s Unnatural Disaster: The Tears of Sichuan Province

The Last Campaign of Governor Booth Gardner

The Last Truck: Closing of a GM Planet

Music by Prudence

Rabbit à la Berlin

Escrito por Ceci Alves

Invictus

31 de janeiro de 2010
Morgan Freeman e Matt Damon

Morgan Freeman e Matt Damon

Apesar ser um dos filmes mais regulares de Clint Eastwood e de ter clichês em profusão, Invictus, em cartaz nos cinemas, cumpre seu papel de um bom filme de entretenimento, dosando espetáculo com mensagem, com a maestria que é peculiar ao diretor de Menina de Ouro e Gran Torino.

Para contar a história real da cruzada do recém-eleito presidente Nelson Mandela – líder rebelde da resistência anti-apartheid na África do Sul e Prêmio Nobel da Paz (1993) –, no intuito de unificar uma África do Sul fraturada por quatro décadas de apartheid, Eastwood se esteiou na fórmula que já conhece, que é algo como as armadilhas para pegar moscas: atrai o espectador desde a primeira cena e, uma vez que ele esteja atrapado o enreda, segurando-o pelo visgo.

Com um roteiro baseado no livro “Conquistando o Inimigo”, do jornalista John Carlin, e com o apoio efetivo de Morgan Freeman, um dos produtores executivos da película e ator que deu vida à personagem histórica do qual é amigo e admirador, o filme conta como Nelson Mandela soube se aproveitar politicamente da escalada do Springboks, seleção nacional de rúgbi, na copa do mundo que teve lugar  na África do Sul. Com um detalhe que mudou tudo: o time era um ícone do Apartheid, mas que, em 1995, estava aos pedaços, como a África do Sul.

Em um país que ainda inspirava cuidados, com os ânimos exaltados tanto do lado dos negros, que passaram 40 anos oprimidos e estavam sedentos de vingança, quanto dos brancos, inconformados com as mudanças e temerosos de onde elas poderiam dar, Mandela conta com a sua perseverança e busca o caminho da leveza e da tolerância para superar as diferenças e unificar a nação em um sentimento de bem comum. Para tanto ele elege o rúgbi  e o jogador Francois Pienaar (Matt Damon), o capitão ‘Bocks’como principal aliado neste desafio.

Metáfora – Sobre este substrato, é impressionante como Eastwood segue à risca a cartilha do cânone clássico do cinema, sendo sempre infalível – também, pudera, trata-se de seu 30o. E ele se dá a luxos como, por exemplo, resumir metaforicamente a história que vai contar na primeira cena, utilizando nada mais do que elementos audiovisuais: um carro passa no meio de dois campos de futebol – um, asséptico, onde os brancos treinam futebol americano, ou rúgbi; o outro, de barro batido, dos negros, onde eles jogam uma animada e caótica pelada dos sem-camisa.

Entre eles passa, a certa altura, por uma estrada empoeirada, um carro acompanhado de batedores. Todos param o que estão fazendo para ver do que se trata. Os negros começam a comemorar: é Nelson Mandela, que depois de 27 anos encarcerado por terrorismo e conspiração, está enfim em liberdade. Os brancos torcem o nariz e temem por seu futuro, ao ver que o “terrorista”que ameaça o seu status quo saíra do cárcere. Mas, mesmo com opiniões diversas, ambas as turmas param para ver o que acontece, com atenção e curiosidade. Nesta cena, como nas intenções do filme que se seguirá a esta primeira sequência, Mandela é o único capaz de unir os dois mundos.

Após esta cena, o visgo da armadilha de Clint já é inescapável. A partir daí começa uma competente reconstituição de época para reforçar o que na teoria de cinema chamamos de pacto de verossimilhança: elementos que guardam interlocução com a realidade nossa de cada dia mas que nos mantém ainda mais presos à fantasia da sala escura.

E vemos desfilar diante de nossos olhos a história de um homem que, segundo o personagem Pienaar (Matt Damon), mesmo após ter passado quase 30 anos na prisão, saiu disposto a perdoar seus algozes. E que buscou suas forças e inspiração no poema que dá nome ao filme, Invictus, escrito por William E Henley em 1875.

Trata-se, a grosso modo, uma fábula sobre tolerância, disfarçada no enredo que conta de como Mandela conseguiu, astuciosa e inteligentemente, unir as duas pontas contendoras de seu país através de uma paixão nacional e inquestionável. A parte clichê está no reforço fácil das emoções, seja com músicas grandiloquentes; com passagens sentimentais, como a visita de Pienaar à prisão onde Mandela cumpriu sua pena; ou com a filmagem quase televisiva das partidas de rúgbi. Mas, nada a reclamar: cinema é espetáculo, e para atingir o objetivo, estas armas são válidas.

Escrito por Ceci Alves

Editais do MinC – mãos à obra!

28 de janeiro de 2010

Esta notícia é para quem, como eu, está também do outro lado da tela: estão sendo lançados hoje, durante a 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes, os editais cinematográficos voltados à produção de conteúdos audiovisuais do Ministério da Cultura (MinC).

Por meio da Secretaria do Audiovisual, o MinC coloca na rua cinco editais: Longa Metragem de Ficção ou animação com temática infantil; Longa Metragem de Ficção de Baixo Orçamento; Curta Metragem de Ficção ou Documentário; Longa Metragem de Ficção para Roteiristas Estreantes e Longa Metragem de Ficção Para Roteiristas Profissionais. 

A portaria com os editais será divulgada do Diário Oficial da União, na primeira semana de fevereiro.  Mais informações no site do ministério ou pelo email concurso.sav@cultura.gov.br.

Escrito por Ceci Alves

Gostinhos…

28 de janeiro de 2010

Enquanto elas não chegam, aí vão “teasers” de duas produções que, pelo nível de expectativa, prometem ser as sensações cinematográficas deste ano. Uma é Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton, que nos EUA está com estreia prevista para 5 de março deste ano; o outro é Tropa de Elite 2, que tem previsão de lançamento para 13 de agosto e, mal começou suas filmagens (segunda passada),  já virou notícia na net.

O primeiro gostinho é o single oficial da música de Alice, cantado pela canadense Avril Lavigne. É só uma colagem de fotos, mas dá para se ter uma ideia da canção (que é bem boa, por sinal):

Single de Alice

O segundo é, além da sinopse oficial de Tropa de Elite 2, dirigido novamente por José Padilha e com roteiro de Bráulio Mantovani (Última Parada 174), ver um dos vídeos das filmagens, postados no blog oficial do filme.

Sinopse:

“2010. Nascimento enfrenta um novo inimigo: as milícias. Ao bater de frente com o sistema que domina o Rio de Janeiro, ele descobre que o problema é muito maior do que imaginava. E não é só. Ele precisa equilibrar o desafio de pacificar uma cidade ocupada pelo crime com as constantes preocupações com o filho adolescente. Quando o universo pessoal e o profissional de Nascimento se encontram, o resultado é explosivo.”

Treinamento dos atores

Curtam!

Escrito por Ceci Alves

Maratona Oscar 2010

28 de janeiro de 2010

Primeiro compromisso desta blogueira: a partir do dia 2 de fevereiro, dia de Yemanjá na Bahia, e do anúncio dos indicados à premiação do Oscar 2010, assistirei ao maior número de indicados (se possível, a todos!) e darei meu veredicto aqui. Vou precisar muito da ajuda de vcs, hein? Acompanhem! Abs!

Escrito por Ceci Alves

Está começando…

28 de janeiro de 2010

No filme Lisbela e o Prisioneiro, de Guel Arraes (Globo Filmes, 2003), a personagem Lisbela, interpretada pela atriz Débora Falabella, abre o caminho do mundo da fantasia dizendo estas duas palavras mágicas que acima servem de título. Aproprio-me delas para começar a trilhar meu caminho neste blog de cinema, apresentando-me como uma cineasta e cinéfila que NÃO é dona da verdade, que NÃO acredita na dicotomia filme de arte X filme comercial e que quer mais discutir idéias do que entronizar conceitos e opiniões.

Então, atendamos aqui neste blog o apelo que todo e qualquer filme faz (mesmo a mais hermética película de Tarkovsky) quando “bate na tela” –  apelo que também foi evocado por Lisbela, no prólogo desta película: o de entreter, o de ir pouco a pouco desligando a realidade lá fora para que se mergulhe num mundo de sonho, de catarse coletiva.

De estar com todos os sentidos atentos ao desfile de situações encadeadas, com um roteiro pré-determinado, exibido numa sala escura. Em outras palavras, mergulhar nisto que convencionamos chamar de CINEMA.

Escrito por Ceci Alves

Última sessão….

11 de janeiro de 2010

Ano novo, vida nova, novos compromissos. Infelizmente este é meu último post no blog de Cinema do iBahia. Blogs precisam de dedicação e atuzalização freqüente, e no momento me falta tempo tanto para escrever quanto para ir ao cinema.

Esses meses de colaboração no iBahia foram uma experiência verdadeiramente muito rica para mim. Agradeço aos que me deram esta oportunidade e aos leitores que me acompanharam. Agradeço em especial aos leitores que escreveram comentários aos meus textos, seja para concordar ou discordar das minhas elocubrações. Essa interlocução foi certamente a parte mais divertida desse trabalho.

Grande abraço a todos e bons filmes!

Escrito por Adriano Oliveira

Princesinhas e Avatares

22 de dezembro de 2009

cartaz-princesa-sapoCuriosa época em que os contos de fadas querem ser mais maduros do que a ficção adulta.

A Princesa e o Sapo, a nova animação 2d da Dysney, confirma uma regra que começou a se estabelecer desde os anos 80: não é politicamente correto contar estórias infantis onde personagens femininos são vítimas passivas à espera do macho salvador. Fábulas como Branca de Neve e Bela Adormecida, que esperam desacordadas seu príncipe encantado, são desvalorizadas na era pós-feminista. Precisamos agora de mulheres decididas e guerreiras como Mullan ou trabalhadoras e empreendedoras como Tiana, deste novo filme, que além de mulher é negra (aspecto revolucionário em si). Ao contrário da tradição, as novas mulheres das fábulas do século XXI é que precisam salvar seus príncipes apalermados e incompetentes dos perigos da vida. Como as mulheres contemporâneas da vida real, trabalham por dois.

Mais conservador, o novíssimo e pseudo-revolucionário Avatar aposta na antiga idéia de que as vítimas indefesas só podem ser salvas pela intervenção do homem branco. Estamos diante da mesma lógica de filmes como O Último Samurai ou mesmo A Lista de Schildler: as vítimas são representadas por um pequeno grupo étnico específico (judeus, japoneses, Na´vis), impotentes contra uma ameaça externa; o salvador que surge é um homem branco imperfeito (alcoolatra, egocentrico, egoísta) que se redime a partir da imersão na cultura diferente e se torna mais nativo que os próprios nativos — Tom Cruise se torna mais samurai que os samurais japoneses, Schindler recebe homenagens como num enterro judeu, Jake consegue unificar as várias tribos Na´vi etc. As vítimas continuam em segundo plano e ao final cobrem o salvador da pátria de glórias como um semi-deus, reafirmando indiretamente sua superioridade como homem e branco.

Este ano, o filme “adulto” que mais subverteu essa lógica foi Bastardos Inglórios. Nele, as vítimas (judeus e negros) não esperam por ajuda, partem logo para a vingança contra os nazistas. O impressionante é que conseguem contra todas as adversidades e até mesmo contra a “História”.

Filmes como Bastardos Inglórios e A Princesa e o Sapo, aparentemente despretensiosos e escapistas, mostram-se no fundo profundamente políticos ao subverter a lógica tradicional da vitimização holywoodiana: se forem ameaçados, esperem por ajuda externa.

Escrito por Adriano Oliveira

Avatar (2009)

21 de dezembro de 2009

O novo filme de James Cameron comprova mais uma vez seu talento como roteirista, diretor e marketeiro. Essa última habilidade parece estar suplantando as anteriores, pois Cameron conseguiu fazer todo mundo acreditar que Avatar é uma espécie de revolução, um divisor de águas na história do cinema. Não é. A verdade é que quando se tem um orçamento que pode ter alcançado US$ 500 milhões ninguém quer se arriscar a ser verdadeiramente revolucionário, prefere-se apostar no já sabido, nas fórmulas de sucesso.

Avatar é realmente um espetáculo visual, um filme muito bem narrado que consegue impor ritmo épico e ocultar as falhas de uma história que é simplesmente muito bobinha. Trata-se de uma adaptação livre do mito da índia Pocahontas que se casou no século 16 com o inglês John Rolfe (cujo equivalente nacional seria o casal Paraguaçu e Caramuru). A velha história é transplantada para o século 22, num futuro em que os humanos estão explorando e destruindo o exuberante ecossistema do planeta Pandora. O planeta é defendido por alienígenas humanóides (muito humanóides, por sinal), que ainda estão na idade da pedra, mas que, sendo bons selvagens, convivem em harmonia com a natureza etc.

Nesse contexto de bem-contra-o-mal repleto de uma xaropada pseudo-ecológica, surge o ex-fuzileiro paraplégico Jake Sully (o excelente Sam Worthington), que tem por missão se infiltrar na tribo dos índios-alienigenas para descobrir seus pontos fracos e facilitar seu massacre pelos humanos (como se isso fosse necessário). É claro que Jake acaba se apaixonando pelo modo de vida dos nativos e por uma bela nativa. Redimido pelo amor, lidera a insurreição da tribo contra os humanos. Ou seja, os nativos são sempre seres meio impotentes à mercê dos humanos, que ora podem destruí-los, ora libertá-los.

Mas Cameron é um mestre do roteiro e da edição que consegue extrair leite de pedra. Ignorando-se esse caldo ralo de lugares comuns, dá pra se divertir bastante com Avatar.

O filme tem sido alardeado por revolucionar o 3d no cinema. Não chega a tanto. Na verdade, há um interesse enorme da indústria cinematográfica em vender essa idéia, pois o 3d é a grande arma de Hollywood contra a pirataria. Avatar é o blockbuster que chega na hora certa para justificar o alto custo de investimento na adaptação de salas de exibição para os sistemas 3d.

O filme é realmente muito bom em 3d, mas não decepciona no tradicional 2d. O que realmente surpreende no filme é a verossimilhança dos personagens digitais. Nunca se viu tanta expressividade facial em bonecos gerados por computador. Mas mesmo essa qualidade também não surge do nada, é a evolução natural da tecnologia de captura de movimentos e expressões faciais de atores que já havia nos dado o Gollum, de O senhor dos anéis, e o impressionante King Kong (2005).

Avatar é legal, mas a grande revolução de 2009 no campo da ficção científica continua sendo Distrito 9.

Escrito por Adriano Oliveira

Atividade paranormal (2007-2009)

8 de dezembro de 2009

Como é que um filme realizado em 7 dias com um mirrado orçamento de US$ 15 mil, dois atores desconhecidos e mal pagos e uma câmera digital barata pode se tornar o mais lucrativo da história do cinema, arrecadando mais de US$ 100 milhões só nos EUA e Canadá? A resposta é simples: Atividade Paranormal mete medo, muito medo, e nós adoramos ser aterrorizados no cinema.

O filme narra, sob a forma de um falso documentário, como um casal tenta registrar os fenômenos sobrenaturais que passaram a ser rotina em sua casa. Trata-se do estilo de terror inaugurado com Bruxa de Blair (1999), mas sem o irritante chacoalhar da câmera. Atividade Paranormal manipula de modo extremamente eficiente o pavor do público porque seu diretor, Oren Peli, sabe que a experiência mais aterrorizante é estar indefeso, no escuro, onde o que realmente tememos não é o que vemos, mas aquilo que nos observa ameaçadoramente sem poder ser visto.

Não creio em fantasmas, mas eles certamente existem no escuro do cinema.

Complemento:

Discordo que o filme seja “ridículo”, como alguns tem comentado. É bastante bem feito para o parco orçamento, tem bons atores que causam empatia e o diretor consegue construir de modo bem eficiente a trama. É um filme despretencioso que não quer muito mais que ser um eficiente trem-fantasma. Acho até que o ritmo cai um pouco do meio pro final, mas isso não chega a comprometer o resultado.

É verdade que muitos debocham do filme. Quando eu o assisti, um casal à minha frente não parava de reclamar. Minha dúvida é se era uma compreensível reação negativa ao filme ou um modo de lidar com o próprio medo. Realmente não dá pra entrar no clima quando ficamos debochado antecipadamente aquilo que nos assusta. Para desfrutar experiências do tipo trem-fantasma é preciso se entregar um pouco e se permitir sentir medo, sem se envergonhar.

Conheço bastante bem as estratégias cinematográficas para provocar o medo e o susto. Mesmo assim, em algumas cenas confesso que fechei os olhos.

Creio que fazer circular um pouco de adrenalina no sangue já vale o ingresso.

Escrito por Adriano Oliveira

Pulp Fiction no Google Wave

28 de novembro de 2009

O Google Wave é um novo serviço de comunicação pela internet, ainda em fase de testes. O vídeo abaixo é uma simpática homenagem ao filme Pulp Fiction (1994), de Tarantino, através dos recursos do Wave.

Muito bem feito e divertido.

Escrito por Adriano Oliveira

Lua Nova (2009)

25 de novembro de 2009

A série Crepúsculo, escrita por uma casta e religiosa dona de casa americana, conta a história de uma adolescente dividida entre o amor de um vampiro e de um lobisomem. Tendo mais o que fazer, eu não li e não lerei nenhum dos quatro livros, mas vi os dois filmes já lançados. São inegavelmente megassucessos internacionais de bilheteria e, ao mesmo tempo, filmes extremamente desinteressantes.

Crepúsculo era sobre como um vampiro centenário (Edward Cullen) com cara de peixe morto que não consegue achar nada mais interessante para fazer da vida que repetir eternamente o ensino médio. Esse pobre infeliz se apaixona perdidamente pela jovem Bella, que tem igualmente cara de peixe morto. Motivo: ela parece ser imune aos poderes telepáticos do vampiro. Em resumo, Edward não consegue ler os pensamentos de Bella, mas não imagina que a menina simplesmente não tenha nada na cabeça que valha a pena ser lido. O filme se arrasta numa trama que gira em torno do vampiro ter que refrear seus impulsos de sugar o sangue da amada até a morte, uma metáfora óbvia do erotismo baseado na sexualidade reprimida, tão a gosto dos neo-puritanos norte americanos.

Lua Nova, recém lançado, me surpreendeu muito: o filme consegue ser ainda pior que Crepúsculo. Não tendo mais nada de interessante para contar, a trama se reduplica. No lugar do vampiro, que foi curtir sua dor de cotovelo nas praias do Rio de Janeiro (?!), entra um lobisomem adolescente (Jacob Black) e igualmente carente. A maior diferença entre eles é que o ator que faz o lobão teve que malhar feito um condenado para parecer realmente bombado, à diferença do pálido vampiro que precisou de pesada maquiagem para realçar seu tórax inexpressivo.

Ambos os filmes são hilários de tão fraquinhos, mas infelizmente se levam a sério demais. São uma espécie de High School Musical com monstros, mas sem a graça, o ritmo e a leveza da divertida e despretensiosa série musical adolescente.

Fuja como o vampiro fugiria da cruz!

Escrito por Adriano Oliveira

2012 (2009)

16 de novembro de 2009

Roland Emmerich é um experiente realizador de filmes de ação, especialmente no gênero catástrofe, mas como demonstra este seu novo trabalho, o diretor alemão parece ter perdido a mão. 2012 é simplesmente um filme irrelevante. Nem mesmo as muitíssimo bem produzidas seqüências de efeitos especiais chegam a valer o preço do ingresso.

O enredo é uma morna mistura de lugares comuns, incapazes de estimular na platéia nada além de bocejos (um senhor literalmente roncava a meu lado durante a exibição). Também pudera, o mundo está para ser destruído pela milésima vez no cinema, mas tudo isso parece ser apenas um subterfúgio para que uma família seja reunida. O problema é que os personagens não geram empatia suficiente para que alguém chegue a se importar com o destino deles. Recorrendo ao mesmo tema de um pai que precisa recuperar o respeito dos filhos, Spielberg, por exemplo, fez um trabalho bem mais interessante em Guerra dos Mundos (2005).

Roland Emmerich por vezes sabe dosar em seus filmes certas ironias de cunho político. Em O Dia Depois de Amanhã (2005) havia uma deliciosa seqüência em que os americanos invadiam o México como imigrantes ilegais. Mas em 2012, até isso se perde. Dá para alguém se interessar e torcer pelo destino de uma arca de Noé moderna repleta de políticos inescrupulosos, milionários mafiosos e uma família sem graça?

Por mim, afunda!

Escrito por Adriano Oliveira

Deixa ela entrar (2008)

12 de novembro de 2009

Numa época em que livros e filmes de vampiro estão excessivamente na moda, Deixa ela entrar (Låt den Rätte Komma In) de Tomas Alfredson é uma grata surpresa.

Os temas principais do vampirismo estão presentes: a sede por sangue, a crueza no abate das vítimas, leis estúpidas como não poder entrar em casas sem ser convidado (daí o título) etc. Entretanto, o que realmente torna o filme interessante é a delicadeza com que é realizado e a história que conta. Trata-se de um filme sobre adolescentes filmado de modo lento, intimista e sensual. Lembra em vários momentos Elefante (2003), de Gus Van Sant.

A temática dos vampiros surge na inglaterra vitoriana, no século XIX. Talvez o filme que melhor retrate as condições histórico-culturais dessa origem seja Drácula de Bram Stocker (1992). Neste belo filme de Francis F. Coppola, baseado no livro clássico que tornou popular essa forma de ficção, percebermos como o vampiro era e ainda é uma metáfora para a sexualidade reprimida. Vampiros como Drácula são homens poderosos e irresistíveis que desvirtuam mulheres solteiras e casadas, penetrando-as com seus caninos (metáfora do coito) e fazendo-as sangrar (metáfora da perda da virgindade). O homem comum transforma uma mulher em mãe comportada, um vampiro a transforma numa em bruxa lasciva, devoradora de crianças. No filme de Coppola, só os homens parecem ser capazes de enxergar a real configuração mostruosa do vampiro: um velho, obsceno e freudiano pai-da-horda que exige todas as mulheres para si, deixando explicitada a impotência dos filhos. Mas não se trata exatamente disso. O que torna Drácula de Bram Stocker ainda mais interessante é que neste filme o vilão se transmuta para cada personagem, a partir do modo como este projeta sobre o vampiro suas próprias fantasias. Ou seja, Coppola evidencia que a face catalizadora de fobias do morto-vivo é na verdade a projeção dos nossos desejos mais profundos e reprimidos.

Curiosamente, na primeira década do século XXI, a repressão sexual ainda faz o sucesso da ficção vampiresca. Sabidamente a série Crepúsculo é escrita por uma casta e religiosa dona de casa americana e versa sobre a sempre adiada perda da virgindade da protagonista para um vampiro.

Deixa ela entrar foge um pouco dessa lógica. A sexualidade está ali presente e reprimida, mas o tom não é escapista. É um filme sobre a solidão e sobre os encontros desesperados que ocorrem quando o mundo é apenas frio, escuro e sem esperança. Que não se confunda o final da projeção com otimismo — talvez o velho que acompanhava a garotinha já tenha sido ele também um adolescente.

Escrito por Adriano Oliveira

Anticristo (2009)

2 de novembro de 2009

Talvez seja um pouco tarde pra falar de Anticristo, de Lars von Trier. Devo confessar que demorei a escrever por certa covardia intelectual.  A verdade é que saí do cinema sem conseguir definir se havia gostado ou não do filme, e ainda me sinto assim.

Para os desinformados, vale a pena marcar alguns pontos importantes. O primeiro é que, apesar do seu título, não se trata de um filme comercial de terror com temática religiosa. Longe disso: demônios só os da alma. Se pudéssemos classificá-lo, diria se tratar antes de um “filme de arte”. Outro aspecto relevante, é que Anticristo foi recebido com muita má vontade por parte significativa da crítica desde sua estréia no festival de Cannes deste ano. O diretor chegou a ser acusado de injustificável sadismo para com o público e de misoginia pelo modo como retrataria a personagem feminina. Tudo isso devido às explícitas cenas de sexo e mutilação genital: a mais comentada delas, inclusive, uma óbvia referência à clássica cena de mutilação ocular em Um Cão Andaluz (1929), de Bruñel.

Tendo ido preparado para muita “bagaceira”, devo dizer que o filme não me afetou no quesito estômago revolvido. Não há dúvidas que as cenas são fortes, mas nem de longe insuportáveis, como se alegou. E de fato, elas não são o centro do filme, mas a representação dos efeitos adversos da sua real temática: a impossibilidade e a temeridade de se tentar reduzir a experiência humana a uma lógica causal racional.

A real violência retratada no filme é a do marido que tenta terapeutizar a esposa incapaz de superar o luto pela morte do filho (mostrada na brilhante cena de abertura). Este homem tenta a todo custo reduzir a experiência da mulher a uma racionalização barata de psicologia de botequim. Quanto mais ele insiste mais ela afunda no abismo. Ou seja, rapidamente começamos a pensar que tudo é culpa do babaca do marido.

E assim Anticristo quase chega a um paradoxo. Como representar a insuficiência da lógica da causa e efeito se o marido é a causa da loucura da esposa? É surpreendente que neste momento haja uma sutil reviravolta na trama. Começamos a perceber sinais de que não se trata simplesmente da mulher como vítima da incompreensão e da prepotência masculina. Nem toda loucura daquela mulher pode ser reduzida a um efeito da ação daquele homem (e aqui von Trier está mais lacaniano que nunca). Antes mesmo dessa malfadada terapia familiar, a mulher (sem nome) já experimentava algo difícil de exprimir que não sob a forma de um gozo sádico ilógico, inconsciente, dirigido à maternidade e ao filho. Isso parece ter incomodado muitos feministas de plantão, bem mais que a cena da mutilação genital, entretanto este me parece o aspecto intelectual mais instigante e revolucionário de Anticristo.

Em Anticristo, como em outros filmes do diretor, o feminino expressa um excesso vital não redutível à lógica normal, dita masculina — algo também freqüente no cinema de David Lynch. Através da mulher o caos reina e Lars von Trier se regozija. Que seja a mulher a representar essa resistência a se submeter à imbecilidade da lógica utilitarista contemporânea me parece antes homenagem do que misoginia.

Por outro lado, e eis minha dúvida, o filme que me instigou intelectualmente me pareceu chato e monótono como experiência. Particularmente a cena final me pareceu boba, apesar de bela. Isso talvez decorra do fato de eu ter ido ao cinema muito “preparado”. De certo modo, não devo ter funcionado como “espectador-modelo” que o filme esperava e tentava construir.

Filme para poucos ou para ninguém?

Destaque para as referências ao cinema do diretor russo Andrei Tarkovski, em especial na belíssima fotografia inspirada em O Espelho (1975). Destaque também para a bela música da seqüência de abertura — a ária Lascia Ch’io Pianga, da ópera Rinaldo, de Händel —, que a Globo destruirá em infinitas repetições como trilha de novela.

Escrito por Adriano Oliveira

Alô, Alô, Terezinha! (2009)

2 de novembro de 2009

É extremamente difícil dimensionar a importância que Aberlado Barbosa desempenhou na cultura brasileira desde os anos 60. O interessante documentário Alô, Alô, Terezinha!, de Nelson Hoineff, não se propõe a tanto, mas cumpre a necessária tarefa de re-visitar o fenômeno televisivo que foi Chacrinha.

O mais interessante do filme é que ele realiza isso a partir de depoimentos dos que freqüentaram os inclassificáveis programas do Velho Guerreiro. Artistas de todas as estirpes aparecem reconhecendo a importância que Chacrinha representou em suas carreiras, a maioria hoje no ostracismo. Mas o documentário é mesmo das Chacretes e dos bizarros calouros que a produção do programa escolhia a dedo para serem humilhados em público.

O documentário é uma instigante e inconclusa re-construção da complexa personagem por trás da máscara do palhaço Chacrinha. Entretanto, talvez o que nos toque mais na exibição seja a constatação da selvagem severidade com que o tempo marcou os corpos que outrora pertenciam ao Olímpo da beleza e da fama.

Alguém quer bacalhau?

Escrito por Adriano Oliveira

Besouro (2009)

2 de novembro de 2009

Não há muito o que falar. Besouro frustra boa parte das expectativas levantadas pela circulação de trailes e making of’s na internet.

Há cenas bem interessantes plasticamente, principalmente as com orixás, e as lutas em geral são bem feitas, mas o filme não tem ritmo narrativo, mostrando que o bom diretor de comerciais nem sempre consegue segurar o fôlego de um longa metragem.

Além disso, os elevados custos da produção não são visíveis na tela — alguns cenários são dignos de antigos filmes de Renato Aragão. Melhor seria ter usado o próprio Recôncavo como locação urbana, no lugar da Chapada Diamantina.

De todo modo, Besouro tem um trunfo: demonstra que há público no Brasil interessado em um cinema de ação bem realizado que fuja da surrada temática polícia-bandido-na-favela-carioca. A temática candomblé-capoeira é rica o suficiente para atender tanto a essa justa demanda popular quanto a vôos cinematográficos mais sofisticados.

Escrito por Adriano Oliveira

Distrito 9 (2009)

11 de outubro de 2009

distrito-9-cartazO filósofo francês Jean-Paul Sartre disse certa vez que o inferno são os outros. Distrito 9, do estreante diretor sulafricano Neill Blomkamp, demonstra como nós humanos podemos submeter os outros a um inferno, quando julgamos a dessemelhança que nos separa insuportável demais.

Trata-se de uma ficção científica de altíssimo nível. Blomkamp contou com o apoio do neozelandês Peter Jackson (O Senhor dos Anéis) para concretizar sua fantasia sobre extraterrestres submetidos a um regime de Apartheid nas mãos de negros e brancos. O resultado é visualmente impressionante, mesmo que os inúmeros efeitos especiais sejam muitas vezes imperceptíveis, devido ao bom uso intencional de uma linguagem de documentário.

Destaques para a interpretação de Sharlto Copley, no papel do burocrata que termina sentindo na pele o horror da exclusão e da indiferença, bem como para as citações explícitas ao filme A Mosca (1986).

Escrito por Adriano Oliveira