John Tyree (Channing Tatum, “GI Joe“, “Ela Dança, Eu Danço (Step Up)“) é um rebelde e atormentado soldado americano em férias que topa com Savannah Curtis (Amanda Seyfried, “Mamma Mia!“, “Jennifer’s Body“) uma certinha e altruísta estudante. Contra todas as probabilidades, eles se apaixonam à primeira vista e vivem um breve, mas tórrido, romance de verão. Porém John precisa voltar ao exército, numa base Americana na Alemanha. Durante sete anos eles manterão contato através de cartas (por que não e-mail?) e em alguns breves e cronometrados encontros. E essa relação distante vai trazer fortes conseqüências para a vida dos dois.
Este é mais um filme baseado num romance do aclamado escritor americano Nicholas Sparks (”Diário de uma Paixão”, “Noites de Tormenta”) especialista em estórias românticas adaptadas aos tempos modernos, no cinema atual um gênero quase extinto. Os conflitos são contemporâneos (neste caso a guerra pós 11 de setembro), nada daqueles esquemas “Romeu e Julieta” em que a família de um deles, ou ambas, era o entrave para o romance. O roteiro tem uma linha do tempo alongada, outra característica de Sparks, deixando a trama ainda mais interessante. A temática é declaradamente feminina, mas nada que afugente a ala masculina.
A mistura da Sra. Certinha com o Dr. Problema funciona bem e os atores foram muito bem escalados para os papéis. O filme é bem dirigido, com bonita fotografia e metragem correta. É romântico sim, mas faz um gênero mais charmoso do que meloso. Ideal para se assistir a dois.
* Este foi o filme que tirou “Avatar” do topo da bilheteria do final-de-semana depois de 7 semanas consecutivas de liderança.
* Curiosamente o filme seguinte de Amanda Seyfried (”Cartas para Julieta“) também teve um roteiro envolvido com cartas.
* Muito em breve teremos mais um filme baseado num romance de Nicholas Sparks, “A Última Música“, com Miley “Hannah Montana” Cyrus.
Kathryn Bigelow disputou palmo a palmo com seu ex-marido, James Cameron
Agora que a poeira e os calores da entrega do Oscar 2010 baixaram, é hora de analisar qual foi o recado que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood quis mandar com esta cerimônia de virada de década, que se tornou histórica por ter premiado, por primeira vez, com a estatueta de Melhor Diretora, uma mulher: Kathryn Bigelow, por Guerra ao Terror – que também arrebatou Melhor Filme. Superando as expectativas da noite, Guerra do Terror ainda levou mais quatro Oscars: o de Melhor Edição e Edição de Som, Mixagem de Som e Roteiro Original.
Vamos aos fatos: o incensado James Cameron era o favorito, indicado em nove categorias na festa que dita ou corrobora os rumos da indústria cinematográfica, que tiver por espelho ou eco Hollywood. Pelo oba-oba da crítica especializada e dos futurólogos de plantão, Cameron já era o vencedor absoluto da noite e iria repetir o feito de 12 anos atrás, quando com seu também ‘faraônico’ Titanic arrebatou 11 estatuetas, igualando o recorde do filme Ben-Hur (de 1959, dirigido por William Wyler).
Assim, James Cameron entrou de salto alto no tapete vermelho, apontado por todos como o homem que, indubitavelmente, redefinira a linguagem do cinema, e que iria guiar todos à terra prometida do 3D e do cinema high-tech e nanotecnológico, salvador de um mercado em erosão por conta da pirataria e dos downloads (ou seja, refém desta mesma tecnologia…) e propositor de uma revolução semelhante ao advento do som no cinema.
Do outro lado da trincheira, estava Guerra do Terror, levando à reboque todos os outros filmes que, especialmente este ano, quiseram contar histórias de um cinema possível: Preciosa, Um Sonho Possível, Coração Louco, Up – Nas Alturas, Amor Sem Escalas, e o próprio Guerra ao Terror têm, como matéria-prima, contos sobre a natureza humana.
E todos com outra característica em comum muito importante – talvez até mais redefinidora da linguagem do que a filmagem em blue/green screen em tempo real e pós-produzida em computador de Avatar, que custou US$ 600 milhões: cada um desses filmes estavam na fronteira do baixo orçamento, sem passar da casa das dezenas de milhões de dólares (Guerra…: US$ 11 milhões e Preciosa, US$ 10 milhões). Ou seja, novas formas de contar e de fazer. Novos meios de dar acesso, novas práticas de liberdade de expressão aplicada ao capitalismo.
Léo Fonseca, autor do blog sobre cinema que leva seu nome (http://leofonseca.tumblr.com/), perguntava, pelo seu twitter (@leofonseca), ao final ao final da cerimônia: “Tá rolando uma rejeição do cinema 3D? Déjà vu do cinema com cores e com som?” Não se trata de um patrulhamento a esse nível – não há como descreditar o mérito de Avatar no pensamento do fazer cinematográfico mundial. Mas, a mensagem deste Oscar é muito mais de uma reação pela diversidade e por um cinema do possível/acessível do que de defesa de velhos padrões: é uma tentativa de sobrevivência no caminho do meio entre os altos padrões e avanços e a “contação” de boas histórias. Pura e simplesmente.
Veja, a seguir, a lista dos ganhadores. Comentem se acharam justas as premiações, soltem o verbo! E lembrem-se: a partir desta semana, comentário no Blog Cinema de cada um dos campeões.
Abraços!
Melhor Filme: Guerra ao Terror
Melhor Direção: Kathryn Bigelow, Guerra ao Terror
Melhor Atriz: Sandra Bullock, Um Sonho Possível
Melhor Ator: Jeff Bridges, Coração Louco
Melhor Filme Estrangeiro: O Segredo dos Seus Olhos (Argentina)
Melhor Edição (Montagem): Guerra ao Terror
Melhor Documentário: The Cove
Melhores Efeitos Visuais: Avatar
Melhor Trilha Sonora: Up – Altas aventuras
Melhor Cinematografia (Fotografia): Avatar
Melhor Mixagem de Som: Guerra ao Terror
Melhor Edição de Som: Guerra ao Terror
Melhor Figurino: The Young Victoria
Melhor Direção de Arte: Avatar
Melhor Atriz Coadjuvante: Mo’Nique, Preciosa
Melhor Roteiro Adaptado: Preciosa
Melhor Maquiagem: Star Trek
Melhor Curta-metragem: The New Tenants
Melhor Documentário em Curta-metragem Music by Prudence
Melhor Curta-metragem de Animação: Logorama
Melhor Roteiro Original: Guerra ao Terror
Melhor Canção: The Weary Kind, de Coração Louco
Melhor Animação: Up – Altas aventuras
Melhor Ator Coadjuvante: Christoph Waltz, Bastardos Inglórios
Cobiçada e amada: cerimônia de entrega da estatueta do Oscar 2010 será dia 7 de março
Gente! Desculpa o sumiço e a demora para comentar sobre o Oscar 2010 neste blog. Mas aí vai o post prometido, com uma especial alegria, porque eu ADORO a festa da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas que, este ano, vai ao ar dia 7 de março – com algumas mudanças e muitas expectativas.
A primeira delas é o aumento do número de indicações ao Oscar de Melhor Filme: das 5 tradicionais, este ano passou-se para 10 indicações – o que foi visto com maus olhos por uns e comemorado por outros.
A turma do contra alega que dobrar o número de concorrentes à laurea mais importante dilui o significado da indicação. E ainda que isto foi inventado como uma via de mão dupla que beneficiaria a Academia e a indústria do cinema: “democratizando” o prêmio, mais blockbusters têm a chance de participar, atraindo (ou recuperando), assim, a atenção do público comum para a premiação anual; e, dessa forma, mais filmes teriam a “sobrevida” prolongada, já que uma indicação à cobiçada estatueta ressuscita a carreira de muito filme em vias de sair de cartaz.
Quem está a favor do aumento de indicações acredita que esta expansão vai incrementar as chances de aquele filme que é legal, e/ou causou burburinho, entrar no páreo com os já favoritos, no entender da Academia, a concorrer pelo tio dourado.
Diversidade - Seja como for, o certo é que, inegavelmente, a diversidade entrou pra ficar na principal festa do cinema mundial.
É só dar uma olhada mais acurada nos indicados da categoria mais nobre da premiação: por exemplo, filmes tão desiguais como o megablockbuster Avatar (James Cameron) e o reconto histórico que traz à luz feridas recentes não cicatrizadas como Guerra ao Terror (Kathryn Bigelow), disputam em pé de igualdade: nove indicações para cada lado.
E aí vai a curiosidade: Bigelow, ex-mulher de Cameron, conseguiu roubar-lhe a cena: com este thriller bélico carregado de testosterona, ela pode ser a primeira mulher a ganhar Oscar de Melhor Direção – verdadeiro ‘Clube do Bolinha’ nestes 82 anos de premiação.
E, dentro dos indicados nesta categoria, uma bem-vinda surpresa: o (tocante) filme de animação Up – Altas Aventuras (Pixar), nomeação que corrobora mais uma vez o poder que as animações vêm adquirindo ao longo dos anos na indústria cinematográfica de gente grande. Esta é a segunda indicação que um longa-metragem de animação recebe para Melhor Filme: o outro foi A Bela e A Fera, dos Estúdios Disney, em 1991.
Gostaria de lembrar a todos que o desafio está de pé: vou ver os indicados e, periodicamente, postarei aqui minhas impressões. Quero também ouvir vocês! Comentários dos filmes serão bem-vindos, apreciados e, os melhores, postados! Espero vocês!
Lula Tdsko é cinéfilo declarado e tem orgulho de ser apontado como "aquele cara fera em cinema". Colecionador de revistas especializadas há 23 anos, ele possui todos os filmes que assistiu nos últimos 21 anos catalogados por nome, elenco e comentários. Em se tratando de filme, topa tudo: seja clássicos de Hollywood, nacional, cult, drama, terror ou infantil.