Marcelo quer sair e ir para o Galo

5 de março de 2010

mareclo_por_robson-mendes1Apesar do presidente Marcelo Guimarães Filho ter negado, via twitter, há sim uma proposta dos Emirados Árabes para tirar o goleiro Marcelo do Bahia. Só que não é esta a oferta que seduz o jogador, e sim a do Atlético-MG, revelada em primeira mão pela TV Bahia, na última terça-feira. O Tricolor tem conhecimento das duas negociações.

A revelação foi feita a fontes próximas ao jogador. Marcelo quer sair do Fazendão, mas para defender a meta do Galo. Deseja trabalhar com o técnico Vanderlei Luxemburgo, que considera um dos melhores do país, num time de primeira divisão, ganhar mais projeção e fazer seu nome no futebol nacional.

Considera-se muito novo – 26 anos – para uma experiência no Oriente Médio. Tem medo de ser esquecido por lá. Ademais, a proposta não é assim tão irrecusável do ponto de vista financeiro, como se cogitou.

O empresário do arqueiro, Orlando da Hora, chegou a dizer à rádio Tudo FM esta semana que Marcelo estava de malas prontas para seguir para os Emirados, onde seria treinado pelo ex-Bahia, Paulo Bonamigo. Trabalharam juntos ano passado, na reta final da Série B, onde o guarda-metas foi decisivo para evitar o retorno do clube à terceira – bate na madeira, pé-de-pato, bangalô três vezes! – divisão.

A declaração do agente, entretanto, parece fazer parte de estratégia para valorizar o agenciado junto aos mineiros.

Galo

Apesar de já contar com Aranha e Carini, o Galo quer um goleiro. Luxa pediu Marcelo ou Fábio Costa, que, inclusive, é desafeto do “Paredão” tricolor. Brigaram quando jogaram juntos no Corinthians. O Santos, porém, já disse que não libera o ex-rubro-negro. A prioridade do Atlético-MG agora é o camisa 1 do Fazendão.

O timão, dono dos direitos federativos de Marcelo, já topou a liberação para os mineiros. Falta o Bahia. Marcelo negou que haja multa rescisória dele com o Tricolor. Também não abre mãos dos três meses de salário que tem a receber, como forma de saldar a suposta multa, hipótese que tem sido divulgada.

Mágoa

Atraso salarial, por sinal, é o principal motivo para o jogador querer deixar o Bahia, apesar do imenso prestígio que tem perante a torcida, da qual é hoje o maior ídolo.

Há três meses sem ser pago, mostrou mágoa ao falar que foi o único entre os remanescentes de 2009 a não ganhar o salário de dezembro, quitado na semana passada. Sem jogar há um mês, por contusão, pegou o cheque, mas, na hora de sacar, não havia fundos. O que mais o irrita é que não foi a primeira vez que isso aconteceu.

Marcelo também está chateado com o presidente, seu xará. Disse que já tinha um acordo para deixar o clube, mas que agora Marcelinho deu para trás.

É esperar o desfecho desta novela que, ao contrário da maioria, caminha para um final infeliz, ao menos para a Nação Tricolor.

Foto: Robson Mendes (Correio)

A hora de pendurar a coroa

4 de março de 2010

RamonRonaldo Fenômeno, 33 anos, avisou: pára no fim do ano que vem. São Marcos, 37, também já tem data para a aposentadoria: 2010 é a temporada derradeira. Ramon Menezes, o Reizinho da Toca, quase 38, e até agora, nem sinal de pendurar a coroa.

O fim da carreira é um tabu para o melhor jogador do Vitória. Ele evita falar publicamente sobre o assunto. Esquiva-se e não estabelece prazos. Deixa claro o desconforto. Compreensível. É difícil, para qualquer um, e não só para os boleiros, lidar e admitir que vai parar definitivamente de fazer o que mais ama. As decisões eternas são as piores. Sempre.

É inegável, porém, que o fim da linha para Ramon está próximo. Não que falte categoria. As belas atuações no Estadual e os gols - é o artilheiro do time no ano - mostram isso. Mas uma hora a idade pesa e, infelizmente, não tem jeito.

O contrato com o leão vai até o final deste ano. O meia vai cumpri-lo e não deve parar por aí. A amigos, já confidenciou que quer jogar até o ano que vem. No próprio Vitória, em outro time do Brasil ou do exterior – ele é um sonho antigo dos árabes -, a carreira deve se esticar até a metade de 2011.

Cuidados

Não duvido que vá manter o alto nível de atuações até lá. Ramon se preocupa muito com a forma. Não perde noites, não bebe, leva uma vida regrada e é até adepto da medicina ortomolecular (uso de substâncias e elementos naturais, como vitaminas, minerais ou aminoácidos, para manter o equilíbrio do corpo). Aderiu ao tratamento por conta própria, para se manter produtivo e não entrar para o time dos ex-jogadores em atividade. Tem conseguido.

Quando, não há certeza. Talvez o próprio Ramon ainda não saiba. Mas fato é que o encerramento da carreira está bem próximo. Como bem lembrou meu amigo Matheus Carvalho, que me sugeriu este post, é bom aproveitar.

Quem viu, viu e não vai esquecer. Quem não viu, tem pouco tempo para ver e não se arrepender mais tarde de ter perdido a chance de ver em ação um dos maiores jogadores do futebol baiano em todos os tempos.

Foto: Márcio Costa e Silva (Correio)

Inspiração

3 de março de 2010

peleFaltam exatamente 100 dias para começar o maior espetáculo da Terra: a Copa do Mundo de Futebol.

A ocasião me fez lembrar do homem que mais conquistou Copas e corações com a bola nos pés: Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé.

Eu não vi Pelé jogar. Mas, pra reconhecer o que ele fez e ter a dimensão exata do muito que ele representa e do gênio que foi dentro dos gramados, tê-lo visto jogar é algo pouco relevante.

Basta conhecer seus números e feitos, ou então, ler alguns relatos dos privilegiados que não só o viram atuar, mas tiveram a honra de jogar contra ou ao lado dele. É o que segue abaixo.

“Subimos juntos para cabecear. Eu e Pelé. A lei da gravidade obrigou-me a descer ao solo. Perplexo, olhei para o alto. Ele permanecia, como um helicóptero, tentando a cabeçada. Conseguiu.” - Fachetti, lateral da Seleção Italiana, vice da Copa de 1970

“Fixei meu olhar em Pelé. A bola estava em seus pés. Ele não virou a cabeça. Não olhou para trás. Ninguém gritou pedindo a bola. Jogou um pouco atrás. Advinhou que Carlos Alberto estava chegando. Só os duendes podem explicar o que houve.” - Albertosi, também jogador da Itália em 1970, ao comentar o último gol do Brasil naquela Copa, que saiu de um passe genial de Pelé para Carlos Alberto.

“Pelé podia virar-se para Michelangelo, Homero ou Dante e cumprimentá-los com íntima efusão: - Como vai, colega?” - Nelson Rodrigues, 1958

“O futebol de Pelé impediu uma avaliação exata da qualidade de muitos jogadores que atuaram de 1958 pra cá.” - Almir Pernambuquinho, ex-jogador de futebol

“Como se soletra Pelé? Com as letras D-E-U-S” - Diálogo imaginário publicado no jornal inglês The Sunday Times

“O maior jogador de futebol do mundo foi Di Stéfano. Eu me recuso a classificar Pelé como jogador. Ele está acima de tudo” - Puskas, segundo a FIFA, um dos cinco maiores jogadores de futebol de todos os tempos.

“Posso ser um novo Di Stéfano, mas não posso ser um novo Pelé. Ele é o único que ultrapassa os limites da lógica.” - Cruijff, maior ídolo do futebol holandês.

“Se Pelé não tivesse nascido homem, teria nascido bola.” - Armando Nogueira.

Meu desejo é que na Copa da África, que começa daqui a 100 dias, inspirados na magia do Rei, nossos craques façam como ele: marquem história, ganhando e, sobretudo, encantando.

Dúvida

2 de março de 2010

Momentos antes do Bavi de domingo, especulou-se que o meia e principal jogador do Bahia, Rogerinho, tinha se recusado a entrar em campo por conta de salários atrasados - dois meses, no caso dele.

A maioria dos cronistas e torcedores acharam um absurdo e condenaram o jogador pela simples suposição de ser verdade. Cinegrafista da TV Bahia e tricolor fanático, meu querido amigo Alberto Luciano, o “Bambam”, fã de Rogerinho, chegou a interpelar o presidente Marcelo Filho e o diretor financeiro Tiago Cintra sobre o caso, na tribuna de Pituaçu, revoltado - “tem que pagar o cara!”, reclamou.

Rogerinho prontamente negou. Disse ter optado ficar de fora porque, mesmo liberado pelos médicos do clube, estava há muito tempo sem treinar - duas semanas - por conta de uma contusão. Faltava, na opinião do atleta, ritmo de jogo e preparo para ir bem no Bavi.

A justificativa do meia é plausível e inquestionável, mas a questão não é essa.

Minha indagação é, romantismo à parte: se qualquer trabalhador brasileiro tem o direito garantido por lei de parar de trabalhar - greve - para reivindicar melhores salários, por que um jogador de futebol que simplesmente não recebe salário, não poderia?

Premonição, revolta e futebol ruim

1 de março de 2010

Suspeito que Arilson Anunciação leu meu post prevendo o triunfo tricolor e pra não me desmoralizar, deixou de marcar aquele pênalti escandaloso do tricolor Nen sobre o rubro-negro Shwenk, no final do primeiro tempo, que poderia mudar completamente a história do Bavi. Revoltante.

Tá certo que ele também ignorou falta sobre o tricolor Edílson em jogada que acabou originando o gol do Vitória, mas este, um lance muito menos crucial para o desfecho do clássico – 2 a 1 para o esquadrão.

O gol da virada rubro-negra naquele pênalti daria uma dinâmica diferente à partida. Com a vantagem no placar, o Vitória poderia ter adotado uma outra postura tática na etapa complementar e segurado o resultado.

A expulsão de Uelliton foi justa - força excessiva e imprudência na jogada -, mas Arílson tem que pegar um belo gancho por uma arbitragem confusa e insegura, por ter prejudicado o Vitória e estragado o clássico.

Ba

Apesar de ter acertado meu palpite, acho que o Bahia não mereceu ganhar, pelo que foi o jogo – equilibrado. O time de Renato Gaúcho até começou melhor, tomando a iniciativa, mas depois esbarrou nos mesmos defeitos - ataque inoperante e meio de campo sem inspiração.

Sem Rogerinho, o time ficou acéfalo no meio. Abedi não tem capacidade para armar o jogo. Ananias foi mais um ponta que um meia. A deficiência na criação é tanta que foi preciso que um defensor, Leandro, fizesse uma bela jogada individual para construir o gol da vitória. Esperava que o time fosse se acertar e atuar melhor com a vantagem de um homem, mas não foi o que se viu. O Bahia é burocrático e pouco agressivo. Tem que melhorar muito.

No ataque, Gral se movimenta, mas não recebe e Edílson, bom, Edílson é mais vontade do que tudo. Sobra categoria, o que ficou nítido no passe para o gol de Abedi, mas falta movimentação e velocidade. Se jogar mais perto do gol, quem sabe? Mas se tiver que correr, amigo, com 39 anos declarados, não dá.

Salvou-se a defesa, com uma atuação regular e segura, exceto no lance do gol de Schwenk, quando Nen falhou na cobertura, Fernando demorou a sair e Alison podia ter ido mais decidido para a bola. Ainda assim, palmas pra categoria deste último, que está voltando à velha forma e a mostrar o belo defensor que é, além de inusitado oportunismo, já que foi ele quem abriu o marcador.

Vi

O Vitória foi prejudicado pela expulsão ainda no primeiro tempo, mas podia e tem que render mais. Apesar do gol, Schwenk não justifica a condição de titular. Busca pouco o jogo e se entrega à marcação. Júnior tem jogado mais e merece entrar de primeira. Adaílton ganhou chance desde o início, mas pouco produziu - pagou o pato pela expulsão de Uelliton e teve que sair mais cedo.

No meio, Bida de hoje só lembra o Bida dos velhos tempos e o Vitória depende demais de Ramon. Quando ele está bem marcado, como aconteceu no clássico, não há alternativa. O leão quase não assustou o Bahia e achou seu gol num lance fortuito, graças ao lampejo do craque camisa 10, que encaixou um ótimo lançamento e à morosidade da marcação tricolor. É muito pouco. Lá atrás, Viáfara falhou feio no primeiro gol, mas tem moral.

O jogo foi muito igual e fraco tecnicamente. O estado deprimente do gramado expressava o futebol dos times: triste. Sinal de alerta para o Brasileirão - ou a dupla Bavi se reforça ou vai brigar é para não cair no final do ano.

Ah, e pra quem quiser saber do futuro, pode mandar as solicitações… eu cobro barato!

Discordo

27 de fevereiro de 2010

Zagallo disse que apoia Dunga e que Ronaldinho Gaúcho não tem vaga na Seleção Brasileira para a Copa do Mundo. Eu discordo.

O velho Lobo justifica que Ronaldinho não joga pelo Brasil tudo que demonstra nos clubes e que ele deixa a desejar como homem de meio-campo, função que exerceria no escrete canarinho atual.

Realmente, Ronaldinho do Brasil nunca foi o Ronaldinho do Barcelona e ele pode até não ser assim uma sumidade no meio de campo. E daí?

Se o problema for posicionamento, bota o cara para jogar em outro lugar onda renda mais ou adequem o time a ele.

Sobre esse negócio de jogar mais no time do que na Seleção, bom, vejamos. O Elano da Seleção deve ser mesmo muito melhor que o Elano do Galatassaray. Assim como o Júlio Baptista da Seleção supera o da Roma. Mas, continuo indagando: e daí?

FBL-WC2006-MATCH60-BRA-FRA

O Ronaldinho “meia-boca” da Seleção joga mais do que esses dois, juntos, no ápice de suas formas técnicas. Nenhum time do mundo, nem o Brasil, pode abrir mão de um talento desse quilate. E digo mais - Ronaldinho seria titular em qualquer um dos outros 31 times do Mundial. Qualquer um. Alguém duvida?

É inaceitável, para mim, engolir que Ronaldinho não irá à Copa. Triste. Sou amante do futebol arte, dos que sabem tratar a bola com carinho, os chamados craques, esses caras que são os verdadeiros responsáveis por fazer da modalidade o mais popular dos esportes e disseminar essa paixão pelo planeta.

Não há argumentos plausíveis para tamanha heresia com o Gaúcho e conosco, fãs do genuíno futebol, o bonito de se ver, de se jogar e se apreciar, o futebol que encanta, que apaixona. Ainda que tais argumentos venham do cara mais vitorioso da história deste esporte - Zagallo.

Não dá pra aceitar que Josué, Elano e Júlio Baptista vão pra África do Sul e que Ronaldinho Gaúcho vai ter o mesmo papel que eu na Copa 2010 – o de telespectador.

Luto?!

Outra coisa: não gostei dos uniformes de viagem da Seleção Brasileira para a Copa. São pretos. Na moral, preto é cor de luto. Não combina com a alegria do nosso futebol, com o que o Brasil sempre representou em mundiais. Não sou supersticioso. Não é isso. Só achei de mau gosto mesmo. Preto por quê?! A não ser que o designer da Nike tenha se inspirado na muito provável ausência de Gaúcho na Copa e aplicado a cor nas camisas e agasalhos como forma de protesto. Se foi, tá perdoado.

Valeu “Timão”!

26 de fevereiro de 2010

Para o primeiro Bavi do ano, era fácil apontar um favorito. O Bahia vinha de duas goleadas aplicadas e o Vitória de derrota para o Itabuna. Cravei fácil no Tricolor e me dei mal. Num jogo feio e morno, o Vitória foi mais eficiente sobre um adversário covarde e meteu 2 a 0.

Agora a tarefa do palpiteiro é mais complicada. Menos pela fase e mais pela equivalência entre os times - nivelados por baixo. Bahia e Vitória têm decepcionado na temporada. Ninguém conseguiu fazer uma grande apresentação ainda, nem o Vitória no Bavi. Faltam padrão tático e condições técnicas a alguns atletas para envergarem camisas tão gloriosas, apesar de liderarem seus grupos no Estadual.

Aliás, já tá mais que provado que o Baianão não é parâmetro para atestar a qualidade dos nossos grandes, vide o sapeca que o leão tomou do Corinthians de Tozin no meio da semana.

Do ponto de vista psicológico, o Bahia deveria ser o mais motivado. O Tricolor ainda não carimbou passaporte para a próxima fase, ou seja, depende do resultado, recebeu um mês de salário atrasado esta semana, perdeu o último clássico e ainda sofreu o abalo da morte da mãe do técnico – o que estimula o elenco a jogar para melhorar o astral do professor Renatão.

O Vitória tinha tudo para entrar mais relaxado e disperso, já que tem resultados mais consistentes no ano, ganhou o primeiro Bavi e atua classificado. Tinha. A derrota para o “timão alagoano” jogou lenha na fogueira da Toca, expôs as fragilidades escondidas pela campanha ilusória no Estadual e colocou em cheque o trabalho do competente, mas sempre questionado Ricardo Silva.

Se foi péssimo para as pretensões rubro-negras de ir longe na Copa do Brasil, o tropeço diante do Corinthians foi excelente para acirrar o clima e a rivalidade e deixar o clássico muito mais interessante. O Bavi de domingo, antes com ares de insosso, agora promete fortes emoções. Valeu Tozin e Catanha!

Ah, meu palpite? Para não me acusarem de medroso, não vou me furtar. Apesar do Bahia não vencer o Vitória como mandante em Salvador há quase seis anos e de ainda não ter derrotado o rival no novo Pituaçu, minha aposta é que dá Tricolor. Um dia a casa cai e os tabus também… Domingo de noite a gente vê se como futurólogo eu sou um ótimo blogueiro, ou não.

Surge uma esperança: Professor Vamp!

22 de fevereiro de 2010

Um dos personagens mais controversos da história recente do futebol brasileiro, Vampeta agora é técnico. Foi anunciado nesta segunda-feira como novo comandante do Nacional-SP, da quarta divisão paulista.

Conhecimento de bola ele tem de sobra. Currículo dentro de campo, também. Entre outras façanhas, o velho “Vamp” foi campeão mundial pela Seleção e pelo Corinthians, além de, no auge, ter jogado muito. Um dos melhores volantes que eu já vi.

Se vai dar certo, não sei. Não basta conhecer de bola para ser bom treinador. Tem que ter liderança, pulso firme, saber solucionar conflitos, gerir pessoas, engolir sapo, ter paciência, sangue-frio e muita sorte, entre outras virtudes. Mas torço que dê. E torço para que a ascensão seja meteórica. Quero Vampeta logo num time grande e, conseqüentemente, na tela da TV diariamente, nos programas de rádio e nas manchetes de jornais, revistas e sites.

O velho Vamp é destemido, abusado, tem personalidade, é bem humorado e sarcástico como poucos no mundo da bola. Seu passado é marcado de atitudes e declarações polêmicas. Quem não lembra dele provocando os são-paulinos na véspera de clássico apelidando-os de “bambis”? Ou das cambalhotas em plena rampa do palácio da Alvorada na recepção pelo penta? Isso pra ser sucinto.

Vampeta é a alegria que falta nos noticiários esportivos e entrevistas coletivas, hoje recheados de “graças a Deus”, “a gente vamos”, “com certeza” ou impregnado pelos “luxemburguês” ou “titês” da vida. É a esperança da volta da ousadia nas declarações, da fuga do óbvio entendiante, do acirramento das rivalidades na base da piada e não da porrada, do fim das caras sisudas nos pós-jogos e das opiniões de ocasião.

Vampeta é a minha aposta para aliviar a decepção com “bad boys” boleiros que amansaram quando mudaram de lado. São os casos, por exemplo, de Romário, que adotou a postura politicamente correta como cartola e nunca mais soltou uma perolazinha, de Edmundo como o comentarista esportivo mais insosso da televisão e de Renato Gaúcho, que começou prometendo com declarações como “vamos brincar no Brasileirão”, mas hoje anda mais chato e previsível do que Campeonato Italiano. 

Boa sorte, Vamp, e vê se sobe nesta nova vida logo, garoto! Agora, se não der certo, por favor, passe longe de meu time…

Um dia eterno

19 de fevereiro de 2010

Dezenove de fevereiro talvez não seja o dia mais importante da história do esporte baiano. Se o parâmetro for a amplitude da relevância do êxito que o nosso esporte obteve na data, ele perde para outros, como os dias dos títulos mundiais de boxe do rubro-negro Popó ou das medalhas olímpicas do tricolor Ricardo, do vôlei.

Mas se levarmos em conta o tamanho da festa que ele ocasionou e o fato do futebol ser uma modalidade muito mais popular por aqui do que boxe e vôlei juntos e elevados ao quadrado, não resta dúvida - 19 de fevereiro é sim o dia mais importante e inesquecível do desporto da Bahia.

Foi num 19 de fevereiro como hoje, há 21 anos, que o Esporte Clube Bahia segurou o 0 a 0 com o Inter em pleno Beira Rio e, no peito e na raça, conquistou seu segundo título nacional, para delírio e deleite máximos de sua imensa e apaixonada torcida, reconhecida por Nação Tricolor.

Eu tinha só sete anos e vi a final na sala de nosso apartamento no terceiro andar no Vale dos Rios, aqui em Salvador, pela TV, ao lado de meu pai rubro-negro e de minha mãe, hoje tricolor, mas na época alheia ao futebol. Era um fim de tarde. Não tinha muita noção do que tava acontecendo. Que, mesmo à distância, estava prestes a testemunhar um momento único, histórico.

Comecei a suspeitar que se tratava de algo incomum quando Dulcídio Wanderley Boschilia apitou o final do jogo, Galvão Bueno decretou “Bahia Campeão Brasileiro” e um estrondo uníssono invadiu a sala, vindo das ruas e dos apartamentos e prédios vizinhos - “Bahêêêêaaaaaaa”. Era muito alto e contínuo. Fiquei assombrado.

O som das ruas cresceu e ficou ainda mais forte. Curioso, corri pra janela para ver e aí tive a certeza, do alto de meus sete anos, que era mesmo um acontecimento atípico, especial. Vi um mar de gente de azul, vermelho e branco correndo enlouquecida, sem direção, com bandeiras nas mãos e as mais diversas reações nos rostos, quase todos chorosos.

Voltei o olhar para dentro de casa e vi meu pai rubro-negro emocionado. Só entendi mais tarde que o amor pelo futebol suplantava a rivalidade clubística e o orgulho de ser baiano superava a frustração de ver o inimigo ser Campeão do Brasil, ou melhor, Bi. Inesquecível.

A noção da magnitude do feito que me faltou na infância foi crescendo com o tempo e é mais clara que nunca hoje, aos quase 30. A saga do time do nordeste, desacreditado até por seus fãs, marginalizado pela imprensa sulista, com pouca grana, muito talento, garra de sobra, formado por jogadores humildes, movido por uma torcida fanática, cega de amor e, acima de tudo, fiel, que assombrou o Brasil, destronou os grandes e recolocou a Bahia no mapa da bola, hoje eu sei, foi muito mais que a obtenção de um simples título nacional de futebol, foi a afirmação do poder se superação e luta de um povo guerreiro, sofrido e, acima de tudo, apaixonado – o povo baiano. Dezenove de fevereiro nos mostrou, muito antes de Obama, que sim, nós podemos. Obrigado Bahia. A Bahia agradece.

Sinval anuncia recusa a convite tricolor

19 de fevereiro de 2010

De tarde, eram favas contadas. De noite, a coisa mudou. Fato é que em entrevista à rádio Tudo FM na madrugada desta sexta-feira, Sinval Vieira anunciou a recusa ao convite do presidente Marcelo Guimarães Filho para assumir a direção de futebol do Bahia. O ex-dirigente rubro-negro vai continuar na carreira de comentarista esportivo na referida emissora e na direção da Sudesb.

A decisão foi tomada após um jantar com os donos da equipe de rádio, Marcus Pimenta e Reinaldo Calisto, na noite desta quinta-feira. Vieira admitiu que estava em conversas adiantadas com os dirigentes tricolores desde antes do carnaval, que a proposta financeira era muito boa, mas preferiu dar continuidade a suas funções atuais.

“Eu tenho um respeito enorme pelo Bahia, que sempre foi um grande adversário e me sinto honrado pela procura. Mas nem tudo na vida é dinheiro. Meus ciclos na imprensa e na Sudesb ainda não acabaram”, justificou Sinval.

Para o torcedor do Bahia, a recusa é lamentável. Sinval seria uma ótima aquisição para o clube e basta ler o post anterior para ver meus argumentos sobre isso. Agora é continuar na torcida para que o clube encontre um nome tão qualificado quanto para tocar seu departamento de futebol profissional.