Alcoolismo F. C.

Semana passada a questão do alcoolismo no futebol foi bastante discutida por conta do caso Adriano. Convivi de perto com um atleta que sofria do mal em um dos clubes onde trabalhei.

Sem exagero, foi o jogador mais promissor que vi em divisões de base nesses 10 anos de labuta no esporte. O cara era bom demais. Basta lembrar que eu acompanhei de perto a formação de Daniel Alves, por exemplo. Mas, acredite, o atleta em questão prometia mais. Meio-campista, ambidestro, chutava bem de fora da área, conduzia a bola com maestria, visão de jogo rara e presença de área. Craque. Defendeu a Seleção e tudo.

O problema era a bebida. Consumia compulsivamente, quase que todos os dias, desde as categorias amadoras. Na base, chegou a fugir da concentração, faltava treinos e desaparecia com freqüência, sem dar satisfação. Trouxe o vício para o time profissional e, junto com ele, os prejuízos à carreira. Repetiu na equipe de cima exatamente os mesmos desvios comportamentais.

Apresentou-se algumas vezes visivelmente embriagado, sem condições de treinar, e vez ou outra arrumava confusão com os companheiros - uma vez chegou a socar um deles em discussão na concentração.

Tinha um problema crônico físico e não se dedicava aos tratamentos, em parte, por conta do vício. O álcool acabou sendo um trampolim para drogas mais pesadas. Foi pego em exame antidoping. Resultado: de promessa, virou decepção. Defendeu times grandes, mas não se firmou. Pesaram os recorrentes problemas físicos, mal curados por causa do vício e ao antiprofissionalismo. Além do temperamento forte e confusões que sempre protagonizava.

Joga até hoje, ou melhor, tenta, infelizmente, sem sequer ser a sombra do que prometeu um dia.

Responsabilidades

Usei este caso como ilustrativo para embasar uma crítica. Acho que tanto com o atleta citado como em tantos outros, falta atitude do clube formador.

Reprimendas e multas salariais, punições adotadas pela agremiação onde trabalhei, são paleativos que não resolvem. É preciso um acompanhamento psicológico e encaminhamento para instituições competentes, como o alcoólicos-anônimos, por exemplo. E isso assim que o mal for detectado.

Vindos de famílias pobres, em alguns casos com históricos de maus tratos sofridos pelos próprios pais, até mesmo vítimas de violência doméstica de alcoólatras, é natural que um ou outro jogador descambe para o alcoolismo.

Aos clubes cabe ter mais responsabilidade nestes casos, afinal de contas, além da questão humanitária, os atletas são o segundo maior patrimônio destes, depois de suas torcidas.

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10 comentários para “Alcoolismo F. C.”

  1. claudio disse:

    O problema hoje não é só o clube, pois este é quem menos apita.

    O empresário, que é o maior responsável hoje, passa a mão na cabeça para não perder a sua “galinha dos ovos de ouro”.

    Tanto é assim que eles não tem preocupação nenhuma com o atleta, que mandam os mesmos novos ainda para lugares como Suécia, etc. Vide o caso de Jael.

    no caso de Adriano mesmo, a maior preocupação de Gilmar é que ele volte para a seleção, jogue a copa, para depois ir para o exterior.

    Sobre casos de bebidas, no meu time teve dois casos emblemáticos ( Beijoca e Mailson - eram craques. )

  2. Darino Sena disse:

    Bem lembrado, Cláudio.
    Os empresários também têm que assumir sua parcela de responsabilidade nesses casos, o que não exime a participação dos clubes.
    Obrigado pela participação.
    Abraços!
    Ps: Beijoca jogava muito mesmo. Maílson foi o maior lateral-direito que vi vestir a camisa do Bahia depois de Zanata.

  3. augusto disse:

    Uma pesquisa da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), feita em 2008, mostra que, em casa, a bebida coada na hora é a preferida de 93% dos consumidores. E o coador de pano ainda é o mais usado na hora do preparo. Há quem diga que o sabor não se iguala a nenhum outro método de preparação. “A trama do tecido permite a passagem de proteínas não-solúveis do café, que garantem uma bebida mais aromática e gostosa”, se o nosso ex craque aproveita um bom café…

  4. Darino Sena disse:

    hahaha.. muito bom, Augusto! hahaha… abs!
    ps: Descobriu quem é o ex-futuro craque em questão?!

  5. Leopoldo disse:

    Darino: homem que bebe pinga, tem a honra mais curta do que coice de rato. O resto é conversa fiada.
    Continuo riscando, agora também no twitter

  6. Darino Sena disse:

    hehe… assíduo e inteligente, como sempre.
    Valeu, Leopoldo!
    Abração.

  7. Rafito disse:

    Seria um garoto que quase foi lançado nos profissionais, aos 15 anos de idade?

    Cujo lançamento teria sido vetado por um ex-craque, então dirigente?

    abraços

  8. Darino Sena disse:

    Não Rafito, não foi esse não. hehe… abs!

  9. Kiko disse:

    Acredito que o jogador em questão é Jair, que teve que se afastar duas vezes do Bahia por contusão no joelho, foi pego no anti-doping de cocaína ano passado, e agora tenta jogar no “ameaçado de rebaixamento” Madre de Deus. Vale lembrar que Jair até teve páginas dedicadas ao seu futebol, quando era considerado uma grande promessa, em um livro que conta a historia de grandes da história do Bahia.

  10. Darino Sena disse:

    Olá Kiko,
    Por uma questão ética, prefiro não revelar a identidade do jogador. Não quero expor nem execrar ninguém aqui. Apenas usar um caso como ilustrativo e alerta para que não se repita.
    Obrigado pela visita.
    Abraços!

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