Depois das férias : Moqueca de Arraia na bagagem !

3 de fevereiro de 2010

Depois de um longo e tenebroso (MENTIRINHA : MARAVILHOSO) inverno (QUE NADA : VERÃO ) volto das férias curtidas no mes de janeiro. Depois de checar 2566 emails começo a postar algumas fotos tiradas durante uma viagem ao extremo Sul da Bahia e ao interior de São Paulo.

Antes de descer a Bahia rumo à última cidade do Estado (a simpática Mucuri) dei uma paradinha em Cairu, único município arquipélago do Brasil, e que abrange a Ilha de Tinharé onde fica o paraíso de Morro de São Paulo.

No ferry : de Salvador a Bom Despacho

No ferry : de Salvador a Bom Despacho

Depois de chegar à Itaparica, via ferry boat, seguimos para Graciosa logo depois de Valença. Em Graciosa a lancha rápida nos leva em 10 minutos à Cairu.

Lanchinha rápida : só 4 "real"

Lanchinha rápida : só 4 "real"

Gente, o lugar parece parado no tempo. Na cidadezinha, com menos de 10 mil habitantes, encontramos cenários como este aí da foto : a fachada do Convento de Santo Antonio criado em 1654.

Bandeirolas dão o tom festivo

Bandeirolas dão o tom festivo

Cheguei na cidade um dia depois de uma festança no começo do ano… Todos na cidade pareciam de ressaca depois de uma noite ao som do Psirico.

Quem deve ter trabalhado muito foi o enfermeiro desta peculiar “Ambulancha”.

Vê se pode !! Em ilha, é claro, só poderia ser assim mesmo...

Vê se pode !! Em ilha, é claro, só poderia ser assim mesmo...

A cidade guarda aquele jeitão gostoso do interior e a cultura local como os representantes da Marujada. Ao som dos pandeiros e uma cantoria arrastada eles lembram a conquista dos primeiros navegantes portugueses. Em cada casa ou barzinho os “marujos” molham o beiço na cerveja e cachaça ou no que mais “etílico”  for oferecido pelo anfitrião (como na festas de Folia de Reis).

Na rua esperando a birita

Na rua esperando a birita

É claro que não poderia faltar uma passadinha culinária, já que o Ralando a Panela estava ausente mais de um mes. Pegamos uma receita tradicional do povo litorâneo.

Em ilha : peixe. Se é peixe : é moqueca… e a receita da Dona Bela, que tem um pequeno restaurante logo na frente do atracadouro de Cairu, é bem tradicional…

Dona Bela : moquequeira de Cairu

Dona Bela : moquequeira de Cairu

Ela usa a arraia, peixe dos mais baratos e que é saboroso. O único porém, são aquelas cartilagens que ficam em alguns cortes da arraia. Dá um pouquinho de trabalho para retirar.

Dona Bela usa o que há de mais fácil de ser encontrado para temperar : cebola, tomate e coentro. Tudo bem picadinho, vai prá panela com arraia temperada com sal e limão. Nem 10 minutos é só servir. Um bom molhinho lambão acompanha o prato.

É isso !! No próximo post a viagem continua com um pouco de Nazaré das Farinhas, terra do eterno boleiro corintiano Vampeta.

ABRAÇO

PANÇA CHEIA

SAUDAÇÕES

COXA RECHEADA : ADOÇANDO O NATAL E 2010 !!!

18 de dezembro de 2009

Quem não gosta de uma coxa bem torneada, ops, torneada não, bem recheada ? Pois é o Ralando a Panela e o Rede Bahia Revista resolveram dar um charme na sua ceia de Natal ou Ano Novo com uma saborosa e tenra receita de Coxa de Peru recheada com nozes e frutas secas acompanhada de purê de castanhas portuguesas…

Purê e coxa fatiada decorados com damasco e nirá

Purê e coxa fatiada decorados com damasco e nirá

Fala verdade. Nem parece o Ralando a Panela, tamanha a sofisticação, né ?

Mas não é nada de outro mundo prá fazer, não viu.

Quem dá a dica é o chef Alexandre Vicki, um neto de polonesa, nascido em Curitiba e que manja tudo de cozinha, sem ter aquele ar pedante que aflora em muitos hiper-super-mega-chefs…Ele comanda as cozinhas do  Pestana Bahia Hotel e do  Pestana Convento do Carmo.

No foco do cinegrafista Bambam, Alexandre Vicki dá show.

No foco do cinegrafista Bambam, Alexandre Vicki dá show.

A pedido da Camilinha, nossa produtora do Rede Bahia Revista, Alexandre bolou esta receita especial para o programa que vai ao ar dia 27…

Nossa produtora que "marca" as receitas e nunca experimenta

Nossa produtora que "marca" as receitas e nunca experimenta

Primeiro passo: um dia antes.

Com uma faca bem afiada, desossar uma coxa de peru e marinar com vinho branco, louro, tomilho e mostarda.

Se preferir, pode usar também alho na marinada.

Se preferir, pode usar também alho na marinada.

Agora o recheio.

Manteiga, nozes, e frutas secas : damasco, figo, ameixa, suco de laranja, mel e ricota.

Vamos fazer uma redução…No popular : refogar bem na manteiga as nozes e as frutas picadas e acrescentar aos poucos, deixando evaporar, o suco de laranja que vai dando um toque cítrico em tudo. No final, colcocar umas tres colheres de mel para engrossar um pouquinho até o ponto de uma calda de caramelo (rapidinho).

Fica assim,a nossa redução do recheio.

Fica assim,a nossa redução do recheio.

Misture nossa redução numa ricota já moída. Tá pronto o recheio.

Agora é colocar a coxa em cima de um filme plástico e rechear. Acrescente  pedaços de fruta seca, que foram deixados separados, para dar um toque bonito quando fatiarmos a coxa. Depois de rechear enrole com bastante cuidado e firmeza no plástico. Tire duas tirinhas do plástico para amarrar nas duas extremidades. Assim não vai vazar recheio durante o cozimento.

Enquanto chef Alexandre enrola a coxa, chef Edson dá uma forcinha.

Enquanto chef Alexandre enrola a coxa, chef Edson dá uma forcinha.

Detalhe. O nosso cilindro de coxa (vai parecer um salsichão) será assado em banho maria com água pela metade da coxa entre 30 e 45 minutos conforme a temperatura do forno…Cada um conhece o seu, né !!!

Enquanto a coxa assa, vamos preparar o purê bem simples. Cozinhe as castanhas portuguesas com uma pitada de sal e amasse. Se achar muito caro, a dica do chef Alexandre é fazer o purê com  mandioquinha ou batata doce no lugar das castanhas.

Aí está as castanhas amassadas.

Aí está as castanhas amassadas.

Agora pique bem miúdinho shitake e nirá. Também pode substituir o nirá por alho poró (ou erva doce ou salsão, esta dica é deste reles ralador). No lugar do shitake pode ser champinhon.

As mãos rápidas do chef Alexandre picam o shitake.

As mãos rápidas do chef Alexandre picam o shitake.

Fazer um fundinho de azeite com bastante alho picado e misturar o purê com o cogumelo e o nirá picadinhos. Fica uma delícia….

Agora a gente tira a coxa e corta bem cuidadosamente em fatias. Não precisa deixar dourar. O charme dela é o aspecto tenro, molhadinho.

É uma dica bem legal para quem vai passar um Natal romântico.

Uma coxa e o acompanhamento servem duas pessoas. O chef Alexandre lembra que se for fazer prá família toda, é só colocar o recheio dentro do peru e servir o purê ao lado. Se preferir pode usar usar um pernil de cabrito ou porco e rechear da mesma maneira que a coxa de peru…

Valeu gente…Neste semana de Natal estou de folga…Volto prá ralar na TV, e a panela, na semana do Ano Novo.

ABRAÇO

PANÇA CHEIA

SAUDAÇÕES

Caruru da terra !!!

14 de dezembro de 2009

Na internet voce vai encontrar centenas de receitas de caruru. Escolhi uma de alguém que conhece a fundo a história da culinária baiana.

Guilherme Radel é o nome do homem !!! Ao longo da vida estudou, experimentou e cansou de ralar panela com as mais diversas comidas baianas.

Lançou tres livros sobre esta culinária miscigenada (branca, índia e negra) : A cozinha sertaneja da Bahia, A cozinha praiana da Bahia e A cozinha africana da Bahia.  Foi dele que extraímos (dando uma editadinha, é claro) a receita do nosso caruru.

Não se trata de um livro de receitas, e sim, um compêndio indispensável sobre a confluência dos sabores e ingredientes europeus, africanos e indígenas que resultaram na nossa baianidade no prato. Radel descreve com impressionante clareza os alimentos e utensílios domésticos usados desde o século XVIII. Tem fotos belas e representativas.Vale a pena ter na biblioteca.Vamos para receita :

INGREDIENTES

100 QUIABOS

MEIO COPO AZEITE DE DENDÊ

2 CEBOLAS GRANDES EPASSADAS NO LIQUIDIFICADOR

MEIO COPO DE CAMARÕES SECOS, DESCASCADOS E PASSADOS NO LIQUIDIFICADOR

MEIO COPO DE CASTANHAS E MEIO COPO DE AMENDOINS PASSADOS NO LIQUIDIFICADOR

SAL

PIMENTA DE CHEIRO

- Escolher bem os quiabos (a ponta não pode dobrar, tem que quebrar). Cortar eles “de comprido” em 4 ou 5 partes e depois picar de meio em meio centímetro.

- Ferver o azeite de dendê. Refogue a cebola, as castanhas, amendoim e o camarão seco.

- Colocar aos poucos o quiabo mexendo com uma colher de pau. Depois de ir todo quiabo colocar água para cobrir toda a massa de quiabos. Reparar se a água não está secando enquanto cozinha e ir acrescentando água fervente aos poucos. Depois de uns 5 minutos da primeira fervura, baixe o fogo e continue a mexer.

- Colocar duas pimentas de cheiro raladas no céu. O caruru fica pronto com menos de meia hora de cozimento. Não precisa tirar a”baba” do caruru. Ela faz parte do prato.

Caruru de Santa Bárbara !!!

10 de dezembro de 2009

O Caruru é a expressão gastronômica mais popular e festiva da Bahia. Quem é de fora nem imagina que “Caruru” aqui, não é só o caruru (aquele com quiabo).

“Caruru” aqui em Salvador é muito mais do que isso !!!

A panela de caruru...

Vatapá que acompanha um bom caruru baiano

O Caruru completo vem com frango, vatapá, arroz, acarajé e abará (muitas vezes pipoca por cima de tudo). Ele é oferecido pelas famílias baianas aos amigos e familiares, geralmente, em agradecimento a um pedido alcançado junto a um santo ou orixá. É o sincretismo religioso da Bahia !!!

Caruru completo : o meu prato no dia

Caruru completo : o meu prato no dia

O caruru (o do quiabo) é um prato de origem afrodescendente. Ele é oferecido nas cerimônias do candomblé aos ibejis e erês (São Cosme e São Damião), à Iansã (Santa Bárbara) e à Xangô (São Gerônimo). Para cada orixá, um corte diferente de quiabo : o dos erês, por exemplo, é cortado bem picadinho. De Iansã, em rodelas. De Xangô, em lascas.

Caruru de camisa...

Caruru de camisa...

As fotos do post são de um caruru de Santa Bárbara, oferecido pela Dona Bia, cozinheira das boas e matriarca do Restaurante Rombiamar. No dia 4 de Dezembro (dia da santa) foram servidos quase duzentos pratos…

Agradecidos à Santa Bárbara...E de pança cheia !!

Agradecidos à Santa Bárbara...E de pança cheia !!

O Caruru foi oferecido para os amigos que frequentam a casa durante todo o ano. Em 2009, o Rombiamar ficou entre os melhores dez melhores butecos de Salvador no Festival Comida di Buteco. Concorreu com o Pastel de Siri Lambão, já postado neste blog.

Romilda : "raladora de panela" oficial do Caruru do Rombiamar

Romilda : "raladora de panela" oficial do Caruru

Este ralador comeu e aprovou o Caruru.

Valei-me Santa Bárbara !!!

A próxima postagem será da receita mais tradicional do caruru baiano…

ABRAÇO

PANÇA CHEIA

SAUDAÇÕES

Frigideira de Cajivis (de Caju pra quem não é baiano)

2 de dezembro de 2009

A brincadeira com o nome aí no título é porque em Salvador nunca terminamos uma palavra em “u” quando se está perto de um amigo gozador (ou “tirador de xinca” para os cariocas, e um “bom sacana”, para o baiano).

frigideira-21

Mas é isso:  Frigideira de Caju. Aquela fruta que desprende um perfume delicioso e fornece um suco de primeira é o principal ingrediente desta receita.

Em todo Nordeste a fruta é encontrada em grande quantidade entre novembro e janeiro. Em São Paulo três cajus, bonitos, grandões, são vendidos em média por R$ 10. Aqui na Bahia, saindo de Salvador em direção ao interior, com 10 mangos dá pra comprar um bacia cheinha deles na beira da estrada !!!

Com essa abundância da fruta era de se esperar que algum inspirado “ralador de panela” iria criar um prato delicioso à base de caju.

Seu Kerto é o nome da fera !!!

Seu Kerto recebe a gente no sítio. Porteira aberta...

Seu Kerto recebe a gente no sítio. Porteira aberta...

Ex-contador, ex-ator (contemporâneo de Othon Bastos e Geraldo Del Rey, protagonistas de Deus e o Diabo na Terra do Sol, do genial e tresloucado Glauber Rocha) , seu Kerto resolveu deixar Salvador há mais de 20 anos para morar no sertão baiano, no município de Canudos.

Com uma mão danada de boa pra cozinha ele tem o restaurante mais procurado de Canudos. É um recanto, debaixo da sombra de um enorme cajueiro onde cabem 10 mesas !!!

É a cara da tranquilidade. O "Raso" se refere ao Raso da Catarina, região do sertão onde se escondia Lampião e seu bando.

É a cara da tranquilidade. O "Raso" se refere ao Raso da Catarina, região do sertão onde se escondia Lampião e seu bando.

Quem conhece as delícias da Bahia sabe o que é uma boa moqueca de siri catado. Pois é , a frigideira de caju lembra muito este prato e, pasmém,  sem levar siri !!!

A receita é simples. Anote aí os ingredientes :
UMA LATA DE ERVILHA ( se for tradicional como eu, use frescas)

UM SAQUINHO DE COCO RALADO ( Dona Maria… É melhor ralado na hora)

DUAS CEBOLAS

DOIS TOMATES PICADOS

TRES XÍCARAS DE CAMARÃO SECO

COENTRO À GOSTO (ou salsinha, cebolinha…)

15 CAJUS

AZEITE DE OLIVA

LEITE DE COCO ( de novo Dona Maria : o natural dá de 10 na garrafinha)

DOIS OVOS

PIMENTÃO, TOMATE E CEBOLA (só pra decorar, use a criatividade)

Simbora…lembra aquele moedor de carne da vovó ? Se voce não tem, morra de inveja, eu tenho… Se não tiver, use aquelo chato e moderno processador.

Pegue os cajus, esprema com as mãos e tire o suco. A gente vai usar o bagaço do caju pra misturar cebola, tomate, camarão seco e tempero verde.

Depois de misturado é só passar no moedor

Tudo misturado...

Agora é passar no moedor…

É o saudosismo dando as caras...

É o saudosismo dando as caras...

Depois de tudo triturado. Coloque no fogo azeite e leite de coco… Depois de esquentar, acrescente a mistura triturada.

Ponha um pouco de pó de camarão (é feito com a casca e cabeça do camarão, que a maioria das pessoas joga fora. Torrou no forno é só bater no liquidificador e peneirar.)

Depois de colocar o pozinho, deixe secar o caldinho e acrescente as ervilhas e o coco ralado.

Tá ficando bom...

Tá ficando bom...

Unte um pirex com manteiga e coloque o refogado todo… Separe as gemas das claras e bata as claras. Quando estiverem firmes, coloque as gemas. Essa mistura cremosa vai por cima de tudo. Decore com as azeitonas, pimentão e tomate.

Prá deixar bonitinho...

Pra deixar bonitinho...

Olha como fica bacana !!! E se saboreado embaixo da sombra do cajueiro fica melhor ainda !!!

Coisa linda...

Coisa linda...

Lembrando… Canudos é uma cidade riquíssima em história: todo brasileiro devia conhecê-la.

A Guerra de Canudos é o episódio mais dramático da vida republicana da Nação Brasileira. 20 mil sertanejos morreram defendendo o Arraial de Canudos em 1896/97 contra o Exército Brasileiro que tinha a ordem de “não deixar pedra sobre pedra”.

Centenas de “conselheiristas”, seguidores do beato Antonio Conselheiro, foram degolados com o conhecimento da alta oficialidade militar.

Vale uma visita à região onde está o Parque Estadual de Canudos. Ele é todo demarcado com as localidades onde ocorreram as batalhas.

conselheiro

Outro local imperdível é o Memorial de Canudos construído em homenagem à Antonio Conselheiro : ele guarda relíquias da guerra como restos mortais e artefatos militares e dos sertanejos crentes que viveram no século retrasado.

Vale a leitura de “Os Sertões”, de Euclydes da Cunha. Mas leia com “pai dos burros” do lado, rsrs…

É aquela velha história !!! Quando se conhece o passado não incorremos nos mesmos erros…

E como diz o sertanejo da região : “Nosso Senhor Jesus Cristo Seja Louvado”.

ABRAÇO

PANÇA CHEIA

SAUDAÇÕES

Jambalaya e Blues : saborosos prazeres !!!

24 de novembro de 2009

Jambalaya é um prato que lembra muito a velha e boa Paella de origem espanhola (que já foi tema de outros posts no “Ralando…” )

Bonito que só...

Bonito que só...

O amigo Marquinhos, veio lááááá de Santa Bárba (minha terrinha do interior  de São Paulo) e preparou esta delícia aqui em casa.

O Jambalaya se difere das paellas principalmente porque não leva um ingrediente fundamental do prato espanhol : o açafrão.

O Jamba (já tô íntimo né), é da chamada cozinha cajun e creoule, como eram conhecidos, pelos nativos norte-americanos, os franceses que migraram para a colonia, hoje Estado da Louisiana.

Grande costa marítima e migração africana. A Bahia americana.

Grande costa marítima e migração africana. Louisiana : a Bahia americana.

A mais importante cidade do Estado é New Orleans. Ela é comparada a nossa Salvador por causa da influência africana, localização litorânea, e grande miscigenação, já que também recebeu espanhóis, italianos e principalmente africanos das ilhas que eram colonias francesas como as Antilhas, Martinica e Haiti.

Resultado : culinária “sincretizada” como a nossa, com temperos fortes e influências dos frutos do mar.

boteco

O Marquinhos fez assim : dourou pedaços de bacon retirou os meninos deixando só aquela gordurinha em forma de óleo (se precisar acrescente azeite) para selar pedacinhos de peito de frango. Aí dourou cebola e alho picados. Acrescentou calabresa em rodelas, pimentão em tiras, e um pouco de molho de tomate (pode ser colorau prá dar uma corzinha). Jogou arroz, pimenta a gosto. Quando estiver quase pronto colocar ervilhas, milho e , se tiver com paciência, decorar.

Salada de manga, rúcula, alface, cebola, cenoura, manjericão e pimenta biquinho acompanhou o pasto.

Cores não faltam : sinal de prato saudável

Cores não faltam : sinal de prato saudável

Nosso Jambalaya estava de “pobre”, rsrs… Ficou sem camarão, mas é legal colocar o bichinho. Daquele jeito : sempre no final do cozimento para o camarão não ficar duro e “sumir” no prato…

E por falar em New Orleans , não posso deixar de lembrar que a cidade é o berço do jazz e do blues. Os metais (trompetes, sax, etc…) e o piano foram levados pelos colonizadores europeus e deram uma característica marcante ao blues no lugar. Lonnie Johnson talvez seja seu representante mais clássico desta música que é para os norte-americanos, o que o samba é para os brasileiros : a raiz da MPB aqui. Por lá, o blues é pai do rock.

Vale a pena ouvir o mago do blues de New Orleans

Vale a pena ouvir o mago do blues de New Orleans

Em Salvador também temos excelentes blueseiros . Na gaita, o papa por aqui é Luiz Rocha : talento reconhecido nacionalmente e que está botando  prá quebrar com o CD Pise Fundo.

Vale a pena conferir : www.luizrochaharmonica.com
www.papodegaita.com

Capa de "Pise Fundo" : a gaita é a alma deste trem chamado blues

Capa de "Pise Fundo" : a gaita é a alma deste trem chamado blues

Para conhecer um pouco mais sobre o blues tem também uma reportagem feita por este “ralador” e exibida no Bahia Meio-Dia. Ela está rolando no youtube.http:
http://www.youtube.com/watch?v=uW192PxybmA&feature=player_embedded.

A matéria mostra também dois grandes bluesmans : o baiano Álvaro Assmar e o paulista André Christóvan  !!!

Aplicação e virtuosismo na harmônica (gaita) : instrumento que traduz a alma do blues

Luiz Rocha : aplicação e virtuosismo na harmônica (gaita)

ABRAÇO

PANÇA CHEIA

SAUDAÇÕES

Bem Casado e outros bichos !!

16 de novembro de 2009

Frase atribuída (mas não confirmada) ao midiático Padre Marcelo Rossi mostra uma visão um “tantico” negativa a respeito do casamento : “Casar é bom, morrer queimado é melhor !”

Nos últimos dias conversei com muita gente que pensa justamente o contrário.

casamento

O Rede Bahia Revista vai mostrar a preparação dos noivos para o “grande dia” e como os casamentos acabaram virando uma super produção com direito a muitas novidades gastronômicas nas festas.

O “Ralando…” traz em primeira mão uma receita de Bem Casado produzida durante a reportagem !!! O docinho, antes só oferecido aos convidados na despedida da festa (geralmente na mesa de digestivos), agora fica à disposição dos convidados junto aos demais doces da festa.

Já se começa a comer com os olhos : decoração

Já se começa a comer com os olhos : decoração

Fomos ao bairro da Graça, à casa de Dona Leda , uma das doceiras mais procuradas de Salvador.

Dona Leda arrumou tudo na sala

Dona Leda arrumou tudo na sala

A receita que você acompanha agora estará na reportagem feita para o Bahia Meio Dia deste sábado, dia 21 de novembro. Dá-lhe dona Leda :

Ingredientes (para massa) :

- 6 gemas, 6 claras, um xícara de farinha de trigo, uma xícara de açucar refinado, uma colher de sobremesa de amido de milho (Maisena), uma colher de sobremesa de fermento em pó.

Bater as claras em neve até ficarem bem firmes. Acrescentar o açucar, depois as gemas, em seguida farinha, amido e fermento, sempre batendo. Untar uma assadeira tamanho 3 com manteiga, forrar com papel manteiga e pincelar mais manteiga no papel. Colocar a massa e assar durante 15 minutos em forno pré-aquecido.

(Para calda)

- uma xícara de açucar de confeiteiro (Glaçucar), 4 colheres de sopa de leite, uma colher de sopa de suco de limão

Misturar os ingredientes da calda em fogo baixo e pincelar delicadamente sobre a massa já assada. Cortar os bem-casados com uma forminha redonda e rechear.

Já pronto, depois de recheado : água na boca

Já pronto, depois de recheado : água na boca

(Para o recheio)

- uma lata de leite condensado, um quarto de xícara de nozes moídas

Misture o leite condensado às nozes e leve ao fogo para dar o ponto para rechear.

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Quando a história é bem-casado , decoração é um capítulo à parte. Olha só o cuidado artístico da Dona Leda.

Lacinhos,fitilhos e outras bossas...

Lacinhos, fitilhos e outras bossas...

Conversamos também com o David Melo, promoter de festas, que de dono de bar virou proprietário de buffet. Há 15 anos as encomendas de salgadinhos do buteco foram crescendo e ele sacou que faltava gente especializada para fornecer comida para as festas de casamento.

Investiu e hoje prepara festas que chegam a custar 180 mil reais !!!

Destacou como novidades da área, os mini-empratados. São pequenas porções (de rondelli ao escondidinho) que facilitam a vida do convidado sem precisar se servir na mesa principal.

Bacalhau à Gomes de Sá : ao redor salgadinhos

Bacalhau à Gomes de Sá : ao redor salgadinhos

Os macarrons de origem italiana e francesa também são novidade nos casamentos. Os recheios mais famosos por lá  são de baunilha e chocolate. A massinha é feita com clara de ovos batidas e lembra a do nosso suspiro : crocante por fora e macia por dentro. A cor é conseguida com corante.

Biscoitinho com massa que lembra a do suspiro.

Biscoitinho com massa que lembra a do suspiro.

Eles não tiram o espaço dos bem-casados e acrescentam um toque colorido e diferente. Os recheios tem o sabor conforme a cor do macarron : o marrom de chocolate, o rosinha de morango, etc… Experimentei um de uva, achei com um sabor meio artifical, o de morango era mais gostoso.

É isso aí…A reportagem completa você acompanha neste domingo, dia 22 no Rede Bahia Revista.

ABRAÇO

PANÇA CHEIA

SAUDAÇÕES

Salvador tem comida boa e barata

15 de novembro de 2009

Assista ao vídeo com as dicas de Dalton Soares:

Clicando aqui você assiste aos vídeos do Rede Bahia Revista.

Dica baratinha de churrasco…

9 de novembro de 2009

Quem não é fã de um bom churrasco ?

E se não tiver picanha, bola prá frente…

Resolvi publicar alguma coisa do último churrasco que participei e dar uma dica baratinha de carne para nossos “raladores”.

Buteco de esquina, carne de segunda : sabor de primeira

Buteco de esquina, carne de segunda : sabor de primeira

Uma semana depois do caldo de mocotó, passei de novo no Bar da Esquina (ver post Caldo de Mocotó)  e eis que um esqueleto de máquina de lavar (aquele tambor que gira) virou churrasqueira.

De lavadora para churrasqueira

De lavadora para churrasqueira

Na grelha além de picanha, bisteca de porco e linguiças, tinha uma carne misteriosa no papel alumínio.

Abrindo...

Abrindo...

O Riberto, amigo e butequeiro, deu a dica. Pegar o acém (uma carne que não está entre as mais nobres. Custa entre 6 e 7 reais o quilo, fiz questão de pesquisar ) e fazer uns 6 ou 7 cortes sem separar em pedaços. Nos cortes colocar fatias de bacon. Papel alumínio prá embrulhar e grelha. Fica mais ou menos duas horas. Vai colocando as carnes mais rápidas prá dar saída e segurar a galera.

Depois de todo mundo empanturrado, no final, o acém acaba ficando prá famosa Diretoria. A água da própria carne cozinha ela. Fica molinha e uma delícia.

Molhinho de pimenta, feito limão cravo

Molhinho de pimenta, feito com limão cravo

Teste em casa…

ABRAÇO

PANÇA CHEIA

SAUDAÇÕES

Mineirice : a canjiquinha de Dona Zola

3 de novembro de 2009

Dona Zolinha é um simpático toquinho de gente. Chegou de Belzontí mês passado prá alegrar o paladar do filho desgarrado Paulinho e dos amigos (inclusive eu) que não dispensam uma boa comida mineira…

Desta vez ela preparou a famosa Canjiquinha com Costelinha de Porco.

Dona Zolinha com a mão na massa, ops, na costelinha

Dona Zolinha com a mão na massa, ops, na costelinha

A canjiquinha em questão é feita com milho triturado, também conhecido como xerém ou quirera. Como se diz em Minas é fácim, fácim de prepará.

Vamos a receita da Zolinha : coloque um saco de canjiquinha coberta com água na panela de pressão. Enquanto ela incha e cozinha, tempere a costelinha de porco limpa e cortada em pedaços. Ponha pimenta-do-reino, sal e limão. Fazer um refogado com cebola e alho amassado e acrescentar a costelinha. Depois de 20 minutos de pressão a canjiquinha já cozinhou.

A canjiquinha entrando no ponto

A canjiquinha entrando no ponto

Aí é só jogar a panela com a costelinha e o refogado. Cozinhe mais um pouco para dar o ponto e acrescente salsinha picada.

Dica do ralador : quando fizer em casa vou colocar também bacon linguiça calabresa e hortelã grosso prá reforçar o sabor.

Nesse dia saiu também uma pescoçada de peru

Nesse dia saiu também uma pescoçada de peru

Na noite em que sequestramos Zolinha para minha cozinha também tirei do congelador uns pescoços de peru (receita já postada no “Ralando…”) prá fazer com aipim. Tudo muito gostoso.

A folhinha de salsa e a pimentinha é só frescurite : o que vale é o sabor

A folhinha de salsa e a pimentinha é só frescurite : o que vale é o sabor

Olha o resultado aí. Ai que saudade da Dona Zola….

ABRAÇO

PANÇA CHEIA

SAUDAÇÕES