GUIA DO BAIANÃO

Em 2004 e 2006, o Atlético esteve perto de cair para a segunda divisão do estadual. Insatisfeita, a diretoria do Carcará resolveu agir. Organizou o departamento de futebol e, com parcerias - uma delas com o São Paulo -, trouxe bons reforços e deixou os concorrentes do interior para trás. Com o apoio da torcida, passou à segunda fase em 2007 e 2009. Neste ano, a expectativa da direção é fazer frente à dupla BaVi e chegar a sua primeira decisão desde 1973.
Time base: Braz; Amilton Júnior, Márcio Freitas, Edson e Deivid; Rivaldo, Robinho, Wellington e Jânio; Ciel e Gilberto. Técnico: Moisés Alves.DESTAQUE
A carreira do atacante de 27 anos ainda não despontou desde que saiu do Bahia em 2004 - ele foi revelado pelo clube. Porém, sua agilidade em campo abriu portas no futebol baiano, após passagem pelo Asa-AL, Votoraty-SP e Democrata-MG. Marcou cinco gols pelo Camaçari no estadual de 2008. Defendeu o Vitória da Conquista, mas foi dispensado por indisciplina. Agora no Atlético, Gilberto promete dar a volta por cima em grande estilo.

Disparado o maior vencedor de campeonatos baianos, o Tricolor não levanta o caneco há oito edições e vê o seu maior rival aumentar sua hegemonia a cada ano. Uma das justificativas da torcida para o jejum são os recorrentes erros da direção e as contratações sem critério. Para 2010, o Bahia manteve uma base, trouxe reforços pontuais e também vai apostar em atletas recém-promovidos dos juniores. A vinda de Renato Gaúcho também agradou a massa tricolor. Resta saber se todo esse planejamento, tão exigido, é páreo para superar o Vitória. Ou alguma surpresa do interior.
Time base: Marcelo; Rafael, Nen, Menezes e Ávine; Leandro, Bruno Silva, Rogerinho e Abedi; Edílson e Rodrigo Grahl. Técnico: Renato Gaúcho.DESTAQUE
O fato de não jogar profissionalmente há dois anos não tirou o desejo do atacante Edílson de retornar aos gramados. Aos 39 anos, ele ganhou uma chance no Bahia depois que chamou atenção no amistoso contra os amigos de Ronaldinho Gaúcho. Mas a idade também não inspira confiança. É uma aposta. "Todos estão na dúvida quanto a mim. Mas só o campeonato começando para eu provar alguma coisa". Pelo menos vontade não falta.

Restruturado às pressas em 2009, a direção do Bahia de Feira foi feliz nas contratações e faturou logo de cara a segunda divisão baiana. Graças também à parceria com o homônimo da capital, que emprestou jogadores. De volta à elite após 22 anos, o Tremendão vai agora tentar se manter firme com suas próprias pernas. Se não cair, já estará no lucro.
Time base: Jair; Neto, Osmar, Tilão e Deca; Gleydstone, Robson, Janeudo e Bruninho; Wescley e Wanderley. Técnico: Arnaldo Lira.DESTAQUE
Aos 27 anos, o rápido Wanderley é um conhecedor do futebol nordestino. Já atuou na Espanha, mas fez história no Guarany-CE, Salgueiro-PE, Icasa-CE, Ceará-CE e Campinense-PB. Na Bahia, passou pelo Juazeiro e terá mais uma chance de agradar no emergente Bahia de Feira.

O Camaçari lutou contra o rebaixamento nas últimas edições do campeonato baiano. O drama foi maior em 2009, quando o técnico Sapatão livrou o time da degola já no apagar das luzes. Com contratações modestas para este ano, o time do Pólo quer repetir o desempenho de 1998. À época, terminou o certame em terceiro, atrás apenas de Bahia e Vitória.
Time base: Marcelo Augusto; Daniel, Jeferson, Jarbas e Maicon; Dos Santos, Totinga, Murilo e Bruno; Sylvestre e Tiago. Técnico: Sapatão.DESTAQUE
O técnico Sapatão é a grande aposta do Camaçari para temporada. Quem sabe ele não repete a campanha que fez no comando do Juazeiro no Baianão de 2001, quando o time foi vice-campeão. Élcio Nogueira, nome de batismo, está acostumado a trabalhar com jovens e conhece bem a cidade do Pólo, onde já treinou o rival Camaçariense, atualmente na segunda divisão.

Em 2006, o Tigre de Ilhéus entrou para a história do futebol baiano. Interrompeu uma sequência de 37 anos da dupla BaVi na liderança e faturou seu primeiro título estadual. O último campeão do interior na primeira divisão foi o Fluminense, em 1969. Da conquista inédita para cá, o Colo-Colo voltou a ser apenas figurante. Foi o sétimo em 2009. Não há cenário melhor para quem gosta de roubar a cena e surpreender novamente.
Time base: Paulo; Pará, Emílio, Uilton e Wescley; Flávio Luís, Paulo, Marcinho e Gil; Romário e Celson. Técnico: Edu Lima.DESTAQUE
Na época de boleiro, o meia Edu Lima defendeu os principais clubes brasileiros - Cruzeiro, Palmeiras, Internacional, Flamengo, Bahia, Vitória, entre outros. Fez sucesso como técnico das divisões de base da raposa mineira, mas time principal mesmo só na Bahia, onde estabeleceu moradia. Passou rapidamente pelo Fluminense em 2007 e agora tenta decolar na carreira à frente do Colo-Colo. Se desempenhar à beira do gramado o mesmo papel de destaque quando jogador, o time de Ilhéus vai longe.

É o antigo Palmeiras do Nordeste. Enquanto durou a parceria com o time paulista, a 'filial' chegou a conquistar o Baiano do interior em 2002. Encerrada a sociedade, a equipe entrou em crise, mas, já com o nome Feirense, voltou em grande estilo à elite em 2008, após conquistar a segundona no ano anterior. Por pouco não caiu ano passado. A julgar pelo nível de contratações, 2010 parece que não vai ser diferente.
Time base: Tigre; Capone, Valdo, Diogo e Sandro; Coité, Germínio, Breno e Marcos Neves; Ricardinho e Fernando. Técnico: Zanata.DESTAQUE
O lateral direito Capone é uma das apostas do presidente Dílson Carneiro para 2010. Rápido e com boa presença de ataque, ele marcou três gols no estadual do ano passado. A boa atuação no torneio rendeu ao jovem atleta uma sondagem do futebol paulista, mais precisamente o Ituano.

Para retomar o papel de destaque no interior, o Touro do Sertão precisa recorrer a sua história. Mais precisamente à década de 60 - faturou os estaduais de 1963 e 1969. Depois de participações apagadas, foi bem em 2009 e passou à segunda fase. Também venceu a Taça Estado. Com as boas contratações, o time de 2010 talvez seja capaz de feito igual e, quem sabe, reeditar as conquistas do passado.
Time base: Alan; Ademir, Oliveira, Rodrigo e Sadrack; Nido, Jó, Petrus e Clodoaldo; Ermínio e Deon. Técnico: Laelson Lopes.DESTAQUE
Maior artilheiro da história do Fortaleza (126 gols), Clodoaldo, 31 anos, fez sucesso no início dos anos 2000. Foi procurado até para jogar no Flamengo. Acabou no Beira Mar, de Portugal. Mas a farra e a bebida impediram voos mais altos. A queda na carreira foi dura. Disputou a final da segunda divisão baiana pela Juazeirense. Mas ele quer evitar o coice. Mais uma oportunidade para relembrar os velhos tempos.

Apesar de ser carrasco do Bahia, o Ipitanga chamou a atenção apenas nos seus dois primeiros anos na elite. Foi terceiro em 2005 e quarto em 2006. Sem o fôlego da novidade, escapou na última rodada do rebaixamento em 2009. As contratações para a atual temporada estão longe das revelações como Índio, Bida, Apodi e Rogério Sodré - todos aproveitados pela dupla BaVi. Então, vale a máxima: acabou o milho, acabou a pipoca.
Time base: Sidnei; Átila, Edmilson, Rangel e Vagner Costa; Renê, Domício, Narcísio e Victor Boleta; Baré e Sassá. Técnico: Dênis Marques.DESTAQUE
Boleta despontou como uma das grandes promessas do futebol carioca. Quando teve chance nos grandes de lá, Fluminense e Vasco, decepcionou. Peregrinou em alguns clubes, como o Remo e o São Raimundo. Em 2007, ajudou o Bahia a sair da série C. Aos 29 anos, O lateral esquerdo quer ser a referência do Ipitanga em um bom estadual. Ao menos nos amistosos da pré-temporada ele tem de destacado.

Desde 2002 na elite, o Dragão do Sul tem oscilado entre boas e más campanhas. Não mergulhou em nenhuma crise, mas também não passou de um quarto lugar - 2004. A grande tacada dos últimos tempos foi a revelação do atacante Neto Berola, já vendido para o Vitória. Para 2010, o Itabuna reforçou a defesa e manteve a base do ano passado. É esperar para ver se o time é o mesmo sem os gols de Berola.
Time base: Paulo; Wencley, Rodrigo, Alex e Gustavo; Cláudio, Wallace, Rondinelli e Diego; Pelouco e Nem. Técnico: Célio Costa.DESTAQUE
O Dragão do Sul seguiu os passos do Bahia e também apostou em um veterano no Baianão 2010. Assim como quase todo jogador que passa dos 30, Róbson Luís, 33 anos, vem numa decrescente. Ex-dupla BaVi, já triunfou também no Santos, Vasco e no futebol mexicano. Seu último clube, no entanto, foi o Volta Redonda-RJ. No Itabuna, o meia garante que vai mostrar o quanto é capaz de render. E, quem sabe, promover uma verdadeira reviravolta na carreira.

Fundado em 2002, o Auriceleste só deu as caras na primeira divisão em 2009. A estreia poderia ter sido melhor, não fosse a perda de seis pontos por escalação de jogador irregular. A despeito dos medalhões do ano passado, como o goleiro Jean e o zagueiro Elói, a base do Madre de Deus para este ano se deve a uma parceria com o Bahia, que cedeu alguns jovens jogadores. Além disso, a direção buscou outros reforços experientes. A receita, pelo menos, foi seguida a risca.
Time base: Waldson; Rogério Rios, Roque, Itamar e Fernando; Arlisson, Robson, Pablo e Alan; Simão e Jhulian. Técnico: Aroldo Moreira.DESTAQUE
Fausto, 29 anos, não é nenhum craque, mas exerceu papel importante defendendo o Bahia no acesso à Série B em 2007. Volante de bom passe e de chegadas surpresas ao ataque, ele deixou o Tricolor em 2008. Seu bom futebol havia sumido. Não deixou saudades no ABC-RN ano passado. Antes, havia sido sondado pelo Atlético de Alagoinhas, mas não fechou. Se o futebol baiano oxigena mesmo o seu futebol, está no lugar certo.

O presidente Alexi Portela resolveu economizar nas contratações e o Vitória terá um time modesto em 2010. A torcida não gostou. Porém, motivação não vai faltar. A começar pelo comissão técnica. Conhecedor da equipe, o ex-auxiliar Ricardo Silva foi efetivado e só fala no tetra. Assim como o rival, o Rubro-negro manteve a base de 2009. Apesar da hegemonia do Leão, as duas últimas edições mostraram que a linha que o separa do Bahia é tênue. Para o Vitória, porém, o suficiente.
Time base: Viáfara; Nino Paraíba, Wallace, Anderson Martins e Pelezinho; Vanderson, Uelliton, Ramon Menezes e Bida; Índio e Neto Berola. Técnico: Ricardo SilvaDESTAQUE
O campeonato baiano de 2007 jamais saiu da cabeça de Índio. Não bastasse ter sido o artilheiro do torneio com 26 gols, 11 a mais do que o segundo colocado, ele entrou para história no mesmo ano ao marcar quatro gols em um único BaVi - 6 a 5 para o Leão. Ganhou experiência internacional defendendo o sul-coreano Gyeongnam FC por dois anos. Voltou em 2010 com as credenciais de principal homem de frente do Rubro-negro. "Voltei para dar mais flechadas". O arco já está pronto.

2010 é o ano limite para o Bode conquistar o título estadual, de acordo com as previsões do presidente Ederlane Amorim. Sensação do estadual de 2008, quando ameaçou a hegemonia da dupla BaVi, o dirigente havia garantido o prazo para a primeira conquista. O fato é que em 2009 o prognóstico de Amorim passou batido. O nível de contratações para este ano foi razoável. A não ser que o Vitória da Conquista tenha uma carta na manga, o presidente terá de estabelecer novas metas.
Time base: Marcão; Mica, Sílvio, Braz e Thiaguinho; Éder, Alessandro Azevedo, Valdo e Braw. Diogo e Cicinho. Técnico: Ubirajara Veiga.DESTAQUE
O atacante de 23 anos já havia atuado no Vitória da Conquista e passou também pelo Atlético. Mas foi no Madre de Deus, em 2009, onde se destacou. Marcou sete gols em nove partidas e ajudou o time a fugir do rebaixamento. Velocista, Caetité quer continuar marcando gols, mas por outro objetivo: o título.
























